Ponto e Vírgula
5 de outubro de 2018

Amor e soberania primeiro

O próximo presidente da República, seja ele quem for, vai subir a rampa do Planalto com a rejeição de quase metade da nação. A população, inconformada com a política, está sem paciência. Culpa do povo? Não. Mas da instabilidade política do país, estipulada ainda após as eleições de 2014. Nos últimos quatro anos, teve de tudo: impeachment, presidente impopular, acusação de golpe de todos os lados, revelação de esquemas bilionários em troca de poder, prisões de empresários e políticos que se achavam acima do bem e do mal, torcida contra e a favor da Lava-Jato, enfim, um enredo de filme de terror sem fim.
É nesse clima péssimo, que chegamos a mais uma eleição geral, a maior desde 1989, com 13 candidatos a presidência da República e 28 mil para os cargos de deputados federais, estaduais, dois senadores e governadores de estado. O eleitor vai digitar até 19 números nesse primeiro turno e precisa buscar ânimo para tal.
Mas, mesmo com 13 nomes tentando ser presidente do Brasil, a eleição caminha para uma polarização, com a qual, dois grupos se rejeitam ao extremo. Tem muita gente votando em um candidato, simplesmente, porque abomina o outro. E isso vale para os dois lados. Não se pode votar com o ódio. Mas depois de uma reflexão, após análise de propostas e verificação da viabilidade delas. O Brasil nunca foi feliz quando esteve entre o forno e o caldeirão. Este país, em cuja bandeira está escrito o lema “Ordem e Progresso”, sente falta na flâmula, da palavra “Amor”. Porque o amor a essa terra deveria sim, vir antes de tudo.
Em um possível segundo turno, as forças dos candidatos polarizados se equiparam. Haverá novo período de campanha, mesmo tempo de rádio e TV e começa uma nova disputa, provavelmente, entre os mais odiados do país, empatados em mais de 40% com o maior índice de rejeição. Será, mais do que nunca, hora de analisar com mais critérios, com menos “fígado” e mais racionalidade.
E, independente de qual seja o resultado no primeiro ou no segundo turno, o que mais importa é que o vencedor seja respeitado. Já vimos o filme triste em que quem ganhou a eleição, não levou e pagamos um preço muito alto. Não podemos vê-lo e, muito menos, pagar novamente por isso. A eleição precisa acabar, no máximo, no dia 28 de outubro, quando termina o segundo turno. Afinal, certa para uns ou errada para outros, a soberania popular deve, sempre, vir em primeiro lugar.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação