Ponto e Vírgula
28 de setembro de 2018

A pulverização de votos

Por não ter um representante em Brasília há vinte anos, João Monlevade e região deixaram de receber recursos importantes e decisivos para o desenvolvimento dos municípios. Se tivéssemos deputados federais com base política aqui fixada, o Médio Piracicaba estaria anos luz à frente de onde está. O Hospital Margarida, por exemplo, poderia receber verbas verdadeiramente consistentes para a sua manutenção. A casa de saúde poderia se transformar num legítimo hospital regional, com mais recursos e mais prestação de serviços para a comunidade.
As obras de duplicação da BR-381 já poderiam estar mais avançadas, se tivessem nomes daqui, pessoas que realmente conhecem a nossa realidade para brigar por elas. O trecho entre Nova Era e São Gonçalo do Rio Abaixo, nem projeto tem. É uma vergonha e falta de compromisso com a região que tem 17 cidades e um dos principais PIB do estado. Falta alguém para levantar essa bandeira.
Faltam nomes da região no Congresso defendendo os interesses locais. Valorizando a agricultura familiar, os produtores diversos, o homem do campo. As cidades da região perdem muito sem o apoio efetivo de lideranças comprometidas em liberar emendas e fomentar projetos. A culpa da falta de nomes também recai sobre prefeitos e demais políticos que fecham acordos com nomes de fora, pensando apenas nos grupos políticos e em troca de favores para as eleições municipais futuras. É o carrossel dos interesses pessoais e nenhum compromisso para a melhoria da região.
Está na hora do Médio Piracicaba se unir em defesa dos seus próprios interesses. A região perde muito com o voto pulverizado, sem a união necessária em torno de um grande projeto regional. O Médio Piracicaba, berço da siderurgia e da mineração nacional, precisa de um representante. Alguém preocupado com o progresso, com o suprimento de demandas e fortalecimento de oportunidades. O próprio estado de Minas também perde muito por não ter um ministro de Minas e Energia nos governos nacionais há décadas. O último mineiro foi o prateano Paulino Cícero de Vasconcelos, na década de 1990. Está na hora de mudar. Passou da hora do comprometimento com aqueles que vão lutar pelas causas da região.
Está na hora de focarmos no mesmo horizonte. É preciso reerguer e restabelecer o Médio Piracicaba como a potência que é, em um projeto de futuro, fortalecendo os municípios e buscando a sua plenitude. É preciso defender melhorias nas universidades locais, trazendo mais estrutura, mais cursos e sobretudo mais recursos. A pulverização dos votos naqueles que sequer conhecem a realidade dos municípios, não elege ninguém comprometido com a nossa realidade. O Médio Piracicaba pode e merece mais. Muito mais.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação