Ponto e Vírgula
14 de setembro de 2018

Onde nasce a corrupção

O período eleitoral encerra-se daqui a poucas semanas. O momento é oportuno para todos avaliarem em quem vão depositar o seu voto de confiança, exercício sagrado de nossa democracia. Mas pelo tom de algumas campanhas políticas, dá para se ter ideia, de onde nasce a corrupção no país: ela está enraizada nas negociatas escusas, antes mesmo dos resultados nas urnas. Está na compra de apoio, de votos, no abuso de poder econômico e de autoridade, no assédio moral em empresas e instituições, sobretudo, no derrame de dinheiro nos bolsos dos que se corrompem. Afinal, todo corrupto precisa de um corrompido.
Enquanto a população em geral se omite em debater e questionar propostas ou candidatos apresentados, os maus se juntam em tenebrosas transações. Dizem que o dinheiro compra tudo, até a dignidade. E é por isso que a política ruim impera neste país, afastando muita gente boa do debate. Aliás, o diálogo e o encontro de ideias e ideais divergentes, são os pilares da democracia.
No entanto, o brasileiro parece ter se esquecido de que há uma ponte aberta para o encontro de pensamentos divergentes. Só que ninguém parece querer conversar. Nunca a política precisou tanto de mentes conciliadoras, para unir crenças distintas em nome da reconstrução do Brasil. Uns apostam na chamada extrema direita e outros, na conhecida extrema esquerda. E enquanto isso, não há elos entre as linhas de raciocínio. Não há espaço para quem tenta o debate construtivo, sem cegueiras ou paixões.
Nunca foi preciso estreitar relações entre os opostos. Fugir das imoralidades da política suja e abrir um horizonte para o futuro do país. Aliás, nenhum candidato a presidente desenhou o Brasil que queremos com clareza ou o que é melhor, apontando caminhos e soluções sem desdenhar dos divergentes.
A eleição de deputados estaduais, federais, senadores, governador de estado e presidente da República é o primeiro passo para a mudança que queremos. A democracia é frágil, cheia de defeitos e até um tanto quanto perigosa. Mas ainda não inventaram nada melhor do que ela. E os maus sabem disso, enquanto muitos dos bons preferem o silêncio e a omissão. Muita gente sabe onde a corrupção começa. Ela está nas propostas indecorosas e ligadas ao oportunismo de um, à imoralidade do outro. Mas tenho a esperança de que o povo esteja de olho, apesar de continuar falando que detesta política. Os eleitores sabem quem fala a verdade e quem repete discursos comprados. O povo sabe, mas finge que não vê. É como o morto que acordou só porque ele não havia morrido.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação