Ponto e Vírgula
6 de setembro de 2018

Muito curta para ser pequena

Sábado, 8 de setembro, é meu aniversário. Chego aos 36 anos de vida pensando no que disse John Lennon: “a vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro”. Afinal, sem a capacidade de sonhar, todo homem está morto. Eu sonho muito. Mas estou aprendendo a realizar mais.
Afinal, não se pode viver esperando a oportunidade certa para fazer o que se gosta ou o que se deseja. No mundo empresarial e do empreendedorismo, a máxima é a de que as oportunidades não existem. Elas são criadas. Por isso, sigo em busca da criação dessas. Não dá para olhar o futuro da janela, como a Carolina, de Chico Buarque. O tempo passa e nós passamos com ele. Se não entendermos isso, corremos o risco de vivermos presos a um ideal de vida que não se realizou e que nunca vai se realizar. Sonhar é importante para vislumbrarmos o futuro. Mas a realização dos sonhos é, sem dúvida, a melhor coisa dessa vida. E o céu é o limite.
Tive um amigo que sonhava em passar o réveillon em Copacabana para apreciar a virada de ano e os fogos mais lindos do mundo. No entanto, tinha uma condicionante: só iria se fosse de Cruzeiro, em navio no sistema all inclusive, ancorado na praia, com direito a tudo e mais um pouco. Ele repetia isso, afirmando que não valia a pena ir ao Rio passar a virada de ano se não fosse nesse esquema. Adiou tanto, que um dia, o inesperado veio. Ele sofreu um acidente e morreu sem poder realizar o seu desejo.
“A vida é muito curta para ser pequena”, escreveu o poeta brasileiro Chacal. Na adolescência, tinha esse verso como lema de vida. Depois, na vida adulta, confesso ter me esquecido disso. Dia desses, relendo cartas que trocava com os amigos, há dezoito, vinte anos atrás, reaprendi com o Erivelton pós-adolescente, o quanto é valioso acreditar na realização dos sonhos e buscá-los, enquanto ainda estamos vivos. Depois, afinal de contas, tudo será passado e nada será como antes. Mesmo que sem querer, foi com esse pensamento que cheguei até aqui. E, com ele, agora mais consciente, quero seguir daqui para frente.
Reaprendi e continuo aprendendo, ainda mais neste aniversário, que não se deve parar de sonhar. Que não se deve parar de amar e que não se deve parar de realizar o que se deseja. Correndo os riscos e vivendo com sabedoria, as consequências das escolhas tomadas. Afinal, o mundo é um moinho e é preciso saber se reinventar a qualquer tempo. E se reinventar é também saber inventar o nosso próprio relógio do tempo, criando as oportunidades para a realização dos nossos sonhos. Quem sabe, faz a hora. Hoje, as vésperas dos 36, meu tempo é quando.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação