Papo Aberto
24 de agosto de 2018

CNPJ e PA

Os depósitos de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), do Fundo Estadual de Saúde e do Fundo Municipal de Saúde feitos pela Prefeitura de João Monlevade através de um CNPJ extinto da Associação São Vicente de Paulo, entidade mantenedora do Hospital Margarida, só no ano de 2017 movimentaram cerca de R$5 milhões, de acordo com denúncias. Sendo assim, cifras volumosas devem ter sido alcançadas, já que os depósitos através do CNPJ extinto podem ter sido feitos durante onze anos, com ele sendo baixado em 2007. Se os valores depositados se equiparam aos do ano passado, aproximadamente R$55 milhões podem ter recheado a conta misteriosa. Dinheiro para encher os olhos de qualquer político ganancioso, pescador do Araguaia, jogador de frescobol ou baralho ou empreendedor nato, seja do ramo de tapeçaria indiana, pastel assado, farmácias, óticas, lotéricas, casas de baixo meretrício, salões de beleza, barraquinhas de cocada e banca de bananas.
A denúncia feita pelo advogado Fernando Garcia e pelo jornalista Chico Franco ganhou corpo e foi apresentada ao Conselho Municipal de Saúde, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. E quer queiram, quer não, tem tirado o sono e gasto muita saliva de caciques por aí, haja vista a falta de explicações plausíveis, a cagueira das poucas que surgiram até agora e o evidente desmonte que se pretende fazer com o Conselho Municipal de Saúde. Vamos esperar e ver o desenrolar da história.
Partido dos Anjos

A degradação do sistema político brasileiro, a corrupção escancarada e a tribuna acessível das redes sociais têm criado, aos montes e no atacado, os novos salvadores da pátria. Bom samaritanos que reúnem as melhores qualidades e, ainda, soluções para todos os problemas. Além do dedo afiado para apontar defeitos em tudo e todos.
Um destes, que sequer emitiu uma opinião consistente nos últimos vinte anos, mais por falta de coragem do que de intelecto, já que trata-se de mente qualificada, afirmou em bom tom dias atrás que, diante de tanta balbúrdia, se candidataria a cargo eletivo, mas se prontificou a avisar que nunca foi filiado a nenhum partido político, o que sacramentava sua condição de santo.
Até aí tudo bem, mas é salutar avisar ao cidadão que, de acordo com o carcomido sistema político e eleitoral brasileiro, para se candidatar é preciso estar filiado a um partido. Pelo menos até ontem era assim. Mas além do aviso, também tenho uma solução, para que o mesmo, assim como vários outros, não se enverede pelo mar de lama dos partidos políticos e perca sua auréola de santo: crie um Já sugiro até o nome: Partido dos Anjos, o PA. Pronto. Filiados? Com poucas horas teria milhares. Agora chega de sugestão, que eu nem sou tão bonzinho assim.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia