Ponto e Vírgula
3 de agosto de 2018

Os fatos não importam mais

Vivemos a era da pós-verdade. Tempos em que o que mais importa são mais as emoções que os fatos despertam e não mais eles em si. É a época do engano e da mentira, das chamadas Fake News Já ouviu falar delas? Elas estão por aí, no nosso dia a dia.
Sem dúvida, a rede social que mais mente é o WhatsApp. Mesmo quando tudo é verificável a uma simples conferência na própria internet, notícias antigas são repassadas como se tivessem ocorrido recentemente. Imagens de acidentes na Tailândia, por exemplo, são repassadas com a legenda de que ocorreu em determinado bairro da sua cidade. Declarações ou citações falsas são também atribuídas a outras pessoas que jamais a disseram. E os fatos, que realmente deveriam ter validade, são esquecidos e subjugados. Temos muitas informações a um clique de distância, e, contraditoriamente, tamanha desinformação. A força das mentiras é tão grande que até os pseudo- esclarecidos , quando questionados sobre a veracidade de algo, respondem sem pudor: “Não sei, recebi aqui no zap”. É a prova de que não mais se verificam as informações antes de passá-las adiante. “Repassando” é uma desculpa esfarrapada e faz um mal para a sociedade.
Nessas eleições, as fake News vão bombar. É preciso estar muito atento e muito forte, para não embarcar em canoas de conceitos furados que não têm sequer fundamento. Distorções históricas, dados mal interpretados, tudo contribui para esse cenário de guerra da desinformação. Resumo aqui, parte do ótimo artigo “A arte de manipular multidões”, escrito por Álex Grijelmo e publicado no jornal El País. Segundo o autor, sustentar uma mentira nunca foi fácil. Mas distribuir meias verdades é uma grande tendência desses tempos. Portanto, tenha muita cautela para não ser enganado pelo discurso míope e defeituoso das notícias falsas.
Geralmente, há outros elementos que garantem um tom verdadeiro aos elementos falsos. Entre esses, está a insinuação de que algo seja real, por meio de justaposições, imagens e textos situados lado a lado sem que se explicite a relação entre elas, que obriga o leitor a deduzir uma ligação.
Sempre houve o pré-julgamento, a pressuposição e a dedução. Esses têm traços em comum e se baseiam em dar algo subtendido como certo, sem questionamentos. Por vezes, reunindo todos os requisitos de veracidade, esses se projetam sobre circunstâncias que concordam somente em parte com eles.
A falta de contexto é outra forma de manipulação dos fatos. Simplesmente, uma situação é colocada em outro universo para se transformar em uma mentira compartilhável. Por fim, segundo o autor, há a inversão da relevância, destacando os fatos secundários que transformam em temas principais. É dar mais valor a detalhes, como cabelo ou vestimenta de uma pessoa que adquirem valor crucial na comunicação. Portanto, é preciso prestar atenção nos objetivos de cada texto, de cada mensagem, para não ser manipulado por elas. Não creia em tudo o que lê e desconfie sempre da verdade absoluta Não se engane.

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação