Papo Aberto
27 de julho de 2018

Sobre soldados e jornalismo de verdade

João Monlevade vive, assim como o Brasil, seu pior momento em termos de apadrinhamento político, aparelhamento da máquina pública, fisiologismo e utilização explícita de cargos públicos para abarcar correligionários de um grupo político.
Se essa questão coincidisse com qualidade de gestão, menos mal. O grande problema é que nunca se viu tanta gente ineficaz espalhada pelos setores públicos municipais, que mal sabem a que vieram e que simplesmente estão a serviço do grupo que, mais uma vez e de forma ainda mais explícita, se lambuza no poder sem qualquer pudor ou critério.
Resumindo e tratando o assunto de forma bem popular: é muita gente ruim de serviço em órgãos públicos sem saber o que fazer e com a única função de aplaudir os feitos de um governo sem feitos, ou seja, nada a fazer. Em alguns casos, dão-se ao luxo de pagar salários para alguns que, ao invés de trabalhar, são soldados de redes sociais, prontos para exaltar a qualquer momento seus patrões e a atacar com furor quem pensa diferente de seu grupelho. Se a mesma energia fosse gasta em trabalho, estaríamos na Oslo mineira. Claro, há raras exceções, de pessoas capacitadas e que cumprem seu papel com eficácia. Como disse, raras exceções.
A verdade é que se uma pesquisa fosse feita (apesar de dificilmente acreditar em alguma), acredito que seu resultado diria que João Monlevade está dividida: 90% estão insatisfeitos com o atual governo municipal, 8% não estão nem aí e 2% estão empregados ou têm parentes trabalhando na Prefeitura.

Jornalismo de verdade

Não se engane. O jornalista, assim como tantos outros profissionais, trabalha muito. Pelo menos os de verdade. Claro, não estou me referindo aos capatazes da casa grande e paus mandados do poder, que não pautam, não apuram, não entrevistam, não fotografam e, sequer, escrevem. Aqueles que apenas reproduzem, na íntegra e sem retoques, o que os "chefes" lhe ordenam em seus informativos institucionais. Ainda bem que em Monlevade esses representam, juntos, 2% do que os leitores e internautas acompanham. É triste ter lecionado durante quatro anos na faculdade de Jornalismo de João Monlevade e ver no que se transformou boa parte de sua impressa, outrora tão forte e combativa.
Mas não se engane. Jornalista de verdade trabalha muito.

() Luiz Ernesto é jornalista, escritor e subeditor do A Notícia