Editorial
27 de julho de 2018

Os tempos inocentes se foram

Há alguns anos, meninos de 13, 14 anos, brincavam de bola de gudes nas calçadas, apostavam corridas de rolimã e campeonatos de futebol de várzea. Os mais rebeldes rasgavam as calças jeans nos joelhos e usavam cabelo com topete. Os tempos inocentes se foram. Há poucos dias, cinco menores sequestraram um taxista aqui em João Monlevade, aterrorizaram e o prenderam nos porta malas e seguiram com ele até Santa Luzia. Fisicamente, o trabalhador e pai de família está bem. O carro foi encontrado e recuperado. Porém, as cicatrizes emocionais não podem ser mesuradas.
A realidade está mesmo ao avesso. Os limites se perderam e não sabemos mais aonde isso vai parar. Até quando a sociedade ficará à mercê de criminosos que, de menores, não têm nada? São jovens violentos, capazes de tudo, inclusive, de matar, roubar e assustar a nossa sociedade. Estamos em ano eleitoral, e as esperanças se renovam. Há muito o que fazer, começando pelas crianças, que já crescem acreditando que a maldade e a covardia fazem parte da normalidade do mundo. Que o furto e o medo são coisas habituais, e que esperto é aquele que ganha vantagem sobre o outro. As políticas públicas estão mais focadas na aquisição de futuros votos do que nos problemas reais, e urgentes, da sociedade. Isso precisa mudar com políticos comprometidos com a educação de crianças, com oportunidades para os jovens e com a bandeira da igualdade social, que diminuiu a violência.
Agora, enquanto elegermos candidatos amarrados a partidos engessados e que governam para o próprio umbigo, enquanto as estáticas de crimes cometidos por menores dispara, vamos continuar assistindo esse teatro de horrores. Enquanto as grades cercam as casas e as praças públicas não podem ser visitadas a noite, pois são pontos de tráfico a olhos vistos, não teremos segurança. Onde estão todos? O poder público, as autoridades, os governantes? Temos algum plano, alguma saída para não sermos as próximas vítimas desses meninos? Ou devemos apenas esperar as cenas dos próximos capítulos dessa dura realidade?