Olhares
13 de julho de 2018

Copa para todas

A Copa do Mundo acaba nesse domingo, dia 15 de julho, e apesar de não estarmos levando o título para casa, o evento trouxe à tona algumas discussões sobre a participação das mulheres no futebol e a diferença entre as seleções masculinas e femininas. Várias revistas e jornais estamparam nas capas uma comparação salarial entre Neymar e Marta, ambos camisas 10 da Seleção Brasileira. A revista mostra que homem, dentro do mundo esportivo, recebe muito mais dinheiro e visibilidade, mesmo que, muitas vezes, homens e mulheres possam jogar no mesmo nível.
A palavra “esportes”, há muito tempo, é associada apenas aos homens, como se qualquer tipo de exercício fosse algum privilégio de uma identidade de gênero. Mas até que ponto essa ideologia é um dado físico e biológico? Toda essa ideologia de que homem joga melhor que mulher é, na verdade, uma criação psicológica de uma sociedade hierarquizada num pensamento sexista e machista, onde somos educados a acreditar que a mulher é o sexo frágil e mais fraco.
Minha discussão hoje não é sobre a representação da mulher no futebol ou dentro de casa, mesmo querendo muito discutir sobre, mas sim, sobre as tantas reportagens e discursos em redes sociais que criticavam o futebol masculino por ter tanta visibilidade. Mas a culpa dessa visibilidade é de quem? É comum colocarem a culpa nas empresas de televisão por não passarem os jogos femininos e, realmente, a representatividade nas telas é fraca. Falta muito para ser até mesmo respeitável. Mas a culpa disso tudo é, em suma, do brasileiro, que só espera a Copa Masculina para falar de futebol, que não busca saber mais sobre o futebol feminino e nem de seus resultados, como títulos, jogos e campeonatos.
O futebol feminino foi introduzido muito tempo depois do masculino, o que gera uma falta de estrutura e visibilidade. Notícia boa é que vem ocorrendo um incentivo dos times masculinos, ao criar os respectivos femininos. A expectativa é que agora, com o incentivo e a criação de equipes femininas, haja uma adaptação com relação às emissoras abertas, para que essas comecem a divulgar mais as equipes, de modo que o povo brasileiro consiga ter mais acesso e, ao mesmo tempo, incentivo de torcida para as mulheres numa instância cada vez maior e de abrangência nacional.
Em 2019, ocorrerá a oitava edição da Copa do Mundo Feminina de Futebol, composta por 24 times e que será sediada na França. O time feminino brasileiro, heptacampeão na Copa América é um dos grandes favoritos para a competição. Vamos torcer

() EDUARDA LUIZA é monlevadense e estuda artes e design na UFJF