Ponto e Vírgula
6 de julho de 2018

Obsolescência programada

Interino
Quem não se pergunta por que o celular não tem espaço, mesmo depois de apagar o enésimo arquivo? Usando a afinidade com a TI, ou um pouco de paciência, o sujeito exclui alguns arquivos e continua a usufruir do equipamento... E os aparelhos de DVDs que formam coleção no fundo do armário? Dia desses, levei dois, juntamente com porta-retratos quebrados , livros na antiga ortografia e outras tranqueiras sem utilidade para o centro de reciclagem. Ato rotineiro para quem mora na periferia, como eu ,e não dispõe da coleta seletiva, que ainda não atende toda a cidade. A verdade é que as coisas são fabricadas com data de validade, mesmo implícita, para que a dinâmica do mercado seja satisfeita. Há um documentário, Planned obsolescense, que mostra as primeiras meias-calças que não desfiavam. Porém, gradativamente, os engenheiros tiveram que reduzir a qualidade delas e outros inventos para a produção aumentar. Quem nunca ouviu, também, que não se faz mais produtos como antigamente?
Em dado momento, todo produto adquirido, por maiores os cuidados, terão que ser substituídos. É a chamada obsolescência programada, que já domina o planeta. Reluta-se em comprar demais, mas é inevitável. E o grande caos é o destino desses descartes.
Penso que o que não tem utilidade deve ser reaproveitado sem descartar na natureza. Não apenas eletrônicos, pilhas, lâmpadas, mas todo plástico e metal que tenha reutilização. Sou motivo de espanto nas feiras e mercados, pois, rejeito sacolas plásticas, não as levo para casa raramente o faço, mesmo assim devido a produtos frios que dependem desse tipo de proteção. Claro que o plástico é uma maravilha quando bem utilizado.
E quando o lixo é queimado? Nesse fim de semana, chegando da casa dos avós, depois de pula-pula, bola, liberdade de criança, minha filha teve crise respiratória por causa de fumaça da queimada que os vizinhos fazem com o lixo. Cada um tem livre arbítrio para cuidar de sua casa como quiser, mas há fatos que deveriam ter punição como multas, para quem os fazem. Já conversei com vizinhos sobre isso. Alguns entendem e dizem que eles não fazem, mas os próprios cônjuges não se importam, "devem ser piromaníacos por índole" (grifo meu).Todavia, incomoda-me muito, o fato de que a maioria das pessoas não tem consciência disso, ou fingem não perceber. Compram muito, jogam sacolas ao vento, “enfeiando” a paisagem e ainda queimam pneus, plásticos e toda sorte de materiais. Aos mais jovens ensino a plantar utilizando pneus velhos pintados e organizados. Falo e faço para que seja significativo e tenha resultado. Não dá para parar de consumir, então focar na solução e não no dano.
() Adriana Cristina Freitas é educadora, escritora e ativista ambiental