Ponto e Vírgula
29 de junho de 2018

A esperança é uma bola que rola para o gol

Eu sou otimista. E na maioria das vezes, tento enxergar o lado cheio do copo. Isso não significa que seja um aloprado e que feche meus olhos para as mazelas que nos assolam e, muito menos, aplaudo ou concordo com tudo. Sou um otimista crítico. Daqueles que torcem por tempos melhores e age, por assim dizer, para que as melhorias aconteçam. Não sou um reclamante de carteirinha ou o chato da rede social que aponta o dedo contra os gostos ou alegrias dos outros. Respeito o direito sagrado da manifestação pessoal, de pensamentos e preferências. Acredito que isso seja fundamental para lidar com as saudáveis diferenças que há no mundo.
E, justamente, com esta Copa do Mundo, ficou fácil perceber o quanto é importante saber lidar com essas. Por exemplo, muitas pessoas não gostam de futebol e fazem questão de expressar isso em suas redes sociais. Nada contra e cada um tem o direito de se manifestar. O que chama a atenção, no entanto, é culpar a maior competição do futebol mundial pelos problemas e mazelas do mundo.
O narrador Galvão Bueno é persona non grata em muitas casas. Mas ver jogo do Brasil sem Galvão é chato. Nem que seja para discordar dele. Durante a última partida da seleção brasileira ele disparou: “É claro que a seleção não vai resolver os problemas do país, mas a copa do mundo é o maior barato”. Acertou em cheio. Concordo com o técnico da seleção italiana na Copa de 1994, Arrigo Sachi: “O futebol é a coisa mais importante dentre as coisas menos importantes das nossas vidas”. E o futebol, não só a copa do mundo, é o maior barato.
A corrupção, a violência e os demais desmandos históricos e recorrentes tão comuns e crescentes no Brasil são o resultado da impunidade. É justo, legítimo e salutar protestar contra essa bandalheira toda. Os políticos maus caráteres não só roubaram o nosso dinheiro, mas conseguiram roubar até a nossa alegria. Por isso, é preciso resistir sempre. A esperança é como a bola que rola a caminho do gol. Quem gosta de futebol, deve vibrar. Quem não gosta, que desligue a sua TV e vá fazer outra coisa na hora dos jogos. O importante é não perdermos o bom humor e a capacidade de sermos felizes, um ato revolucionário e tão caro aos brasileiros. Vai, Brasil

() Erivelton Braz é editor do A Notícia e fundador da Rotha Assessoria em Comunicação