Editorial
22 de junho de 2018

Violência que envergonha

Qual é a relação entre a jovem novaerense que foi espancada pelo ex-namorado na BR-381 e os brasileiros que ofenderam uma moça russa, tentando convencê-la a gritar frases impublicáveis, em referência constrangedora a ela própria? A resposta: o machismo que gera violência contra a mulher. Se por aqui a vítima apanhou, teve dentes quebrados e passou por quatro horas de terror nas mãos do agressor, por outro, apesar de não ter sido física, houve violência à intimidade feminina. O grupo, que usou da velha piada (?) de mau gosto de fazer estrangeiros repetirem termos chulos em português, na verdade, ofende a jovem por ela ser mulher. Em ambos os casos, a situação é vergonhosa, lamentável e absurda.
A vítima nunca tem culpa da violência sofrida e é preciso rever conceitos sobre o feminino. Os agressores, muitas vezes, não encostam nas mulheres para diminuir a sua dignidade ou atacar a sua sexualidade. Isso ocorre até dentro de casa, infelizmente. E também, infelizmente, há os casos terríveis de agressão às mulheres com violência extrema. Tanto que doze mulheres são assassinadas todos os dias, em média, no Brasil. É preciso mudar essa realidade, mudando, primeiramente, os discursos. Além disso, cadeia para todos os agressores e responsabilização dos que cometem ofensas diversas às mulheres. E vale ressaltar que qualquer gesto que rebaixe, humilhe ou atinja as mulheres é grande demais para ser deixado de lado. Portanto, é necessário fazer denúncias pelos telefones 181 e 190. Está na hora dos homens assumirem uma nova postura e parar de envergonhar esse país.