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05 de Abril de 2021
Profissionais da linha de frente da Covid terão atendimento em saúde mental
Heverton EliasAcom


A Secretaria de Saúde de João Monlevade estruturou um projeto de atendimento em saúde mental aos profissionais que trabalham na linha de frente da Covid-19. O objetivo é oferecer cuidados psicossociais e clínicos aos médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos e auxiliares de enfermagem, ajudante de serviços gerais, dentre outros diretamente vinculados ao serviço. A proposta é direcionada aos funcionários do Hospital Margarida e do Centro de Referência em Covid-19 da Prefeitura.
O projeto começou a funcionar no dia 31 de março e os atendimentos, segundo a Prefeitura, serão agendados a partir do dia 19, conforme demanda. Também estão envolvidos a Secretaria de Esportes e o Serviço de Fisioterapia da Secretaria de Saúde. 
A coordenadora da Divisão de Saúde Mental de João Monlevade, Eliana Bicalho Ferreira de Almeida, informou que o projeto foi elaborado após solicitação da secretária de Saúde, Mirellié Marcenes Santos. O pedido se deve ao estresse que estes trabalhadores vêm sofrendo desde o início da pandemia. Segundo a Prefeitura, além dos fatores de estresse que já ocorrem no serviço de saúde, a Organização das Nações Unidas (ONU) alerta que os profissionais da linha de frente do coronavírus, estão sujeitos a fatores específicos. Entre esses, destacam-se: o medo dos profissionais de se contaminarem ou aos familiares; medo de morrer, ou perder colegas ou parentes para a doença; luto pela morte de pacientes; frustrações por não conseguirem atender seus pacientes; cansaço físico e emocional; esgotamento; depressão; ansiedade; transtorno de estresse pós-traumático, entre outros.
Pressão
Eliana Almeida ressalta que com o colapso do sistema hospitalar em João Monlevade, os profissionais do hospital e do Centro de Referência em Covid-19 estão sob enorme pressão. “Temos recebido relatos de pessoas que querem abandonar o trabalho. É preciso cuidar de quem está cuidando de nós”, disse. Além de Eliana, participaram da elaboração do projeto a a primeira-dama, Rosângela Guimarães Ribeiro, que é psiquiatra, e a gerente administrativa do Serviço de Saúde Mental (Sésamo/Caps II), Samanta Cristina Oliveira.
A gerente do Sésamo argumentou que a proposta é uma forma de apoiar quem está na linha de frente. Apesar do heroísmo com que eles têm se dedicado, Samanta Oliveira afirma, que eles são pessoas, são humanos e também possuem fragilidades. “Eles também estão vulneráveis e precisam de alguém que os escute, que possa ouvi-los”, declarou. Entretanto, Eliana Almeida e Samanta Oliveira entendem que a população precisa se conscientizar sobre a necessidade de cumprir as medidas sanitárias de enfrentamento à Covid-19. A pressão sob estes profissionais só vai diminuir se a população obedecer às regras que buscam frear a transmissão do vírus.
Atendimento
O projeto de atendimento mental teve início com a entrega de um questionário aos profissionais no dia 31. Eles são questionados se precisam de apoio psíquico; psicoterapia individual; consulta médica especializada; grupo de apoio terapêutico; orientação em assistência social; dia e horário que prefere para ter o primeiro atendimento, entre outros.
Também é questionado se o profissional sente dor muscular, relacionada ao excesso de trabalho; parte do corpo onde sente dor; se ele considera importante ter um acompanhamento em atividade corporal; além de pedir sugestões que possam ajudá-lo.
Conforme a Prefeitura, de posse das solicitações, serão realizadas ações propostas para atendimento presencial ou por via online e lives com conteúdo destinado a este público. A Divisão de Saúde Mental planeja efetuar o atendimento presencial no Centro de Saúde do bairro Cidade Nova.