Desde 1984
Geral
23 de Fevereiro de 2021
Enquetes mostram rejeição a novos assessores e parlamentares dizem que não assinam

Ex-presidentes condenam contratação de mais comissionados na Câmara Municipal

O projeto de lei que autoriza a contratação de mais 16 assessores para a Câmara Municipal de João Monlevade continua provocando mal-estar e indignação. Uma enquete aberta no perfil do A Notícia no Instagram terminou com 92% dos 777 participantes pedindo reprovação ao projeto, que autoriza a admissão de mais um assessor para cada um dos 15 vereadores monlevadenses, além de mais um para a presidência. 
Já outra enquete, aberta na plataforma Google Documentos, registrou 88,3% de reprovação à idéia, que obteve as assinaturas de dez dos 15 parlamentares. 

A iniciativa partiu da Mesa Diretora do Legislativo, composta pelo presidente, Gustavo Maciel (Podemos); pelo vice-presidente, Revetrie Teixeira (MDB); pelo primeiro-secretário, Fernando Linhares (Democratas); e pelo segundo-secretário, Pastor Lieberth (Democratas). O texto ainda contou com as assinaturas de Andréa Peixoto (PTB), Belmar Diniz (PT), Leles Pontes (Republicanos), Doró da Saúde (PSD), Marcos Dornelas (PDT) e Rael Alves (PSDB). A proposta defende a criação de mais um cargo de assessoria parlamentar para cada vereador, inclusive, um segundo para a presidência. O custo ultrapassa R$1 milhão por ano. 

Contra

Os outros cinco que não assinaram o texto não demonstraram, ao menos por enquanto, vontade de apoiá-lo. Percival Machado (PDT) mostrou-se abertamente contrário à iniciativa, que considera um “gasto desnecessário”. O vereador disse ao A Notícia que não assinará o projeto; caso ele entre em pauta, votará contra; e caso ele entre em vigor, protocolará um ofício renunciando ao direito de contratar um segundo assessor. 
Seu colega de partido, Thiago Titó, também disse que não assinará pelo projeto “de forma alguma” nem votará a seu favor, pois considera que as contratações não são necessárias e que um assessor já é o suficiente para atender à demanda. Ele também afirmou que, caso o projeto entre em pauta, votará contra ele. 
Gustavo Prandini (PTB) é outro que não assinou o projeto e diz que, caso entre em pauta,vaí reprová-lo. Ele entende que a iniciativa possui um vício de ilegalidade, citando a lei complementar federal 173/2020, que veda em grande parte dos casos a contratação de pessoal até 31 de dezembro de 2021, por conta da situação de calamidade pública. 
Bruno “Cabeção” (Avante) também disse que sequer cogitou assinar em favor da iniciativa. Seu posicionamento, conta, é de respeitar as opiniões divergentes, e que acrescentaria “pequenas ressalvas” ao texto. Por sua vez, Tonhão (Cidadania) informou que analisará a proposta e verificará as possibilidades financeiras da Câmara antes de tomar qualquer posicionamento.

Ex-presidentes contrários

A proposta de contratar mais 16 assessores para o Legislativo foi condenada por dois ex-presidentes da Casa. Guilherme Nasser (MDB), que comandou a Câmara Municipal entre 2013 e 2014, foi enfático ao dizer que “não há necessidade” de mais servidores de assessorias, e considerou a proposta “um absurdo”, “uma afronta” e “um tapa na cara”, em tempos de pandemia e carestia. 
Djalma Bastos (PSD), que comandou por três biênios o parlamento municipal, também se manifestou contrário à contratação, dizendo que as novas tecnologias dispensam o novo funcionário. Djalma mencionou nominalmente o vereador Belmar Diniz (PT), dizendo-se surpreendido com a sua assinatura a favor do projeto. O ex-vereador ainda conjecturou se a admissão dos 16 não se deveria a “compromissos políticos”, e disse que os gastos deveriam ser redirecionados a necessidades mais básicas da comunidade. O projeto deve entrar em pauta para votação na reunião desta quarta-feira (24).