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Polícia
16 de Fevereiro de 2021
Policial erra tiro e mata homem por engano no Nova Monlevade
Reprodução
César morreu após ser alvejado com disparo da PM
PM é chamada para ocorrência de violência doméstica, mas atinge pessoa errada

Um chamado à Polícia Militar para atender a uma ocorrência de violência doméstica terminou em tragédia na madrugada de terça-feira (16) em João Monlevade. Cesar Eduardo Patrício, de 46 anos, morreu ao ser atingido erroneamente por um disparo efetuado pela PM.

Por volta das 23h55 de segunda, a corporação foi acionada por Daniela Cristina, moradora do bairro Nova Monlevade, que relatava que seu filho estava transtornado pelo uso de drogas e atentando contra a família. Ela própria já teria sido agarrada pelo agressor pelo pescoço e ameaçada com uma faca.

Conforme nota da Polícia, os militares chegaram e ela conseguiu libertar-se, abrindo o portão para a entrada dos PM’s. No entanto, o rapaz ainda estava com a faca nas mãos, e avançou contra os homens da lei, que deram ordem para que ele soltasse a arma branca e se rendesse. Como ele não obedeceu, uma policial atirou, sem atingir o agressor. Assustado, ele correu para os fundos do imóvel tentando, sem sucesso, saltar o muro.

Sem conseguir fugir, segundo a polícia, ele voltou e correu, ainda com a faca nas mãos, em direção ao padrasto, ameaçando feri-lo. Para evitar que o crime se consumasse, uma das policiais atirou na direção do agressor, mas acabou atingindo o padrasto. Ele foi imediatamente socorrido pelos policiais e levado às pressas para o Hospital Margarida, mas acabou não resistindo aos ferimentos e faleceu.

Ainda segundo a Polícia, em meio ao tumulto, o filho da mulher, identificado como Marcos Vinícius, conseguiu fugir, mas foi capturado pelos militares horas mais tarde, ainda sob o efeito dos entorpecentes e pronunciando frases desconexas. Ele disse que se lembrava de uma briga em casa, que queriam até mesmo a sua morte; e quando a polícia chegou, ele fugiu pelo mato, e que até o demônio havia se manifestado em seu corpo. Ele foi apresentado ao delegado de Polícia Civil.

Conforme a PM, as providências da polícia judiciária militar foram tomadas, com a instauração de um inquérito policial militar. A autora do disparo, que não teve o nome identificado, foi detida e está à disposição da Justiça.

Confira na íntegra a nota divulgada pela Polícia Militar no dia 16

NOTA DO COMANDO DA 17ª CIA PM IND – JOÃO MONLEVADE

Na data de ontem, 15, por volta das 23:54 horas, a polícia militar de João Monlevade foi acionada para atender uma ocorrência da lei Maria da Penha, no bairro Nova Monlevade, onde um filho estaria transtornado, drogado, tentando contra a vida de sua mãe, inclusive já teria agarrado-a pelo pescoço, ameaçando-a de morte com uma faca.

Com a chegada da viatura ao local, a solicitante conseguiu se desvencilhar do autor e abrir o portão da garagem para que os militares adentrassem na residência, momento que o autor, filho da vítima, ainda de posse de uma faca, veio em direção aos policiais militares, que deram ordem para que o indivíduo cessasse a agressão e soltasse a faca o que não foi obedecido, tendo, então, diante de uma iminente agressão a faca, que poderia ser fatal, um policial efetuado um disparo de arma de fogo, sem, contudo, atingir o autor, que ficou acuado e correu para os fundos do imóvel, tentando pular o muro, porém sem conseguir.

Ato contínuo, o autor retornou, empunhando a faca, vindo em direção de seu padrasto, para atingi-lo, momento que um militar novamente deu ordem para que largasse a faca e cessasse aquele intento delituoso, sendo também desobedecido pelo autor, tendo, então, o policial militar, em legítima defesa de terceiros, visando evitar um mal maior, efetuado um disparo em direção ao autor, para que cessasse o intento da agressão, contudo, por um erro de pessoa, atingiu o padrasto do autor, que foi socorrido de imediato, tendo o autor evadido em seguida. A vítima baleada foi socorrida, contudo, veio a óbito, sendo atestado por médico no hospital Margarida.

A Polícia Militar deu continuidade às diligências e pela manhã conseguiu fazer a prisão do autor, que aparentava estar sob efeito de drogas, conforme a solicitante havia alegado no chamado pelo 190 e não dizia coisa com coisa durante seu depoimento, se lembrando apenas de que houve uma briga entre eles e seus familiares, os quais queriam até mesmo a sua morte e que chamaram a polícia militar e com a chegada da PM evadiu do local, mato adentro; que o autor alegou até mesmo que o diabo manifestou nele.

As providências de polícia judiciária militar, cabíveis ao caso, estão sendo adotadas pela PM e o preso, autor do homicídio tentado, foi apresentado ao delegado para providências decorrentes e apurações.

Até o momento, as provas testemunhais e as que foram apresentadas, apontam para uma ação legítima da Guarnição policial militar, que agiu no estrito cumprimento do dever legal, a fim de evitar, incialmente, a morte da mãe do autor, depois da guarnição policial, que foi ameaçada com uma faca e, por fim, do padrasto, que também foi alvo de ameaça real por faca.

As providências decorrentes ao caso serão investigadas pela PMMG, através de Inquérito Policial Militar e pela Polícia Civil, através de Inquérito.

“Ninguém vai suprir a falta que ele vai fazer na minha vida. Nós só queremos Justiça”

Numa entrevista concedida à RecordTV, no entanto, a mãe do autor e esposa da vítima, Daniela Cristina, contestou a versão divulgada pela Polícia Militar. Ela contou que acionou a corporação após o filho chegar em casa alterado. Quando a equipe chegou ao local, segundo sua explicação dos acontecimentos, ela abriu o portão e uma policial militar feminina, a primeira a entrar, chamou pelo rapaz, de nome Marcos.

Neste momento, ele saiu correndo pela sala, ouvindo em seguida uma ordem da PM para que parasse. Foi quando a policial, segundo Daniela, efetuou um disparo. Daniela diz ainda ter clamado para que a militar não atirasse.

Nesse momento, segundo a versão de Daniela, César Patrício, o padrasto, foi baleado, levando a mão à barriga e gritando que havia sido atingido. Mesmo com a mulher pedindo que o resgate fosse chamado, o homem foi levado na “gaiolinha” da viatura para o Hospital Margarida, mas morreu nos braços da esposa, que também estava no veículo.

Daniela também negou a versão de que o filho a tenha ameaçado com uma faca no pescoço e contou que foi uma sobrinha dela que convenceu Marcos Vinícius a se entregar. Segundo a mãe do autor, o rapaz ainda teria dito que “não havia matado ninguém, pois o tiro partiu da arma da policial”. Ao canal de TV, ela declarou que vai buscar Justiça pela morte do marido, “um homem trabalhador e honesto”. (Com informações /noticias.r7.com).