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Geral
15 de Janeiro de 2021
Mortes e internações por Covid sobem depois de festas de fim de ano
Divulgação
Marcos André coordena o CTI no Hospital Margarida
Segundo médico, até quarta (13), janeiro havia registrado 17 óbitos e 53 internados

O ano começou há 15 dias e o número de mortes e internações provocadas pelo coronavírus aumentou em João Monlevade. Segundo o médico e chefe do Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Margarida, Marcos André Crim Câmara, isso é reflexo das festas de fim de ano. Ele já havia alertado em entrevista ao A Notícia, no início de dezembro, que o número de casos iria subir se as pessoas fizessem o vírus circular nas festividades. “Foi o que aconteceu, infelizmente”, afirma.

Segundo o médico, em todo o mês de dezembro foram registrados 29 óbitos e o Hospital registrou 90 internações. Até quarta-feira (14), segundo Marcos André, foram 17 óbitos e 53 internações no Margarida, mais da metade dos registros do último mês.

Os casos de Covid-19 também subiram 76,05% em João Monlevade nos últimos 45 dias. Em 30 de novembro, eram 1.904 registros de infecção na cidade, enquanto que até ontem esse número cresceu para 3.352 casos comprovados. O crescimento no número de mortos foi muito maior, passando das 19 em 30 de novembro para 59 ontem, um aumento de 210,52%.

Segundo o médico, a partir do mês passado, famílias inteiras passaram a chegar ao Hospital Margarida contaminadas. “Pai, mãe, filho, avô, avó, tia, tio, muita gente. Dessas, pelo menos duas ficaram internadas”, informa. Chama atenção também a taxa de sobrevivência no CTI. Segundo ele, a média é 25% de óbitos dos pacientes internados no CTI. “A média é alta, mas dentro da realidade do Brasil. A cada quatro pacientes, um morre”, afirma. O médico Marcos André revela que a maioria dos pacientes que falecem tem fatores de risco: obesidade, diabetes, hipertensão. “Poucos faleceram sem os fatores, mas a maioria tinha fatores que agravam a doença”, informa.

Prevenção

Para o médico, só há três maneiras de conter a disseminação do vírus: uso de máscara, higienização das mãos com álcool gel ou água e sabão e o distanciamento social. “Estamos fazendo todos os esforços para diminuir a mortalidade. É preciso ter consciência para evitar as mortes com o distanciamento social”, diz.

Segundo o médico, as pessoas precisam querer ajudar, porque os médicos, os enfermeiros e os técnicos de enfermagem estão fazendo a sua parte. “Estamos lutando para conseguir insumos, melhorar o atendimento, melhorar os serviços médicos e de enfermagem. Trabalhar com Covid é extremamente desgastante”, diz.

Tratamento precoce

Ainda segundo Marcos André, não há comprovação científica de que o tratamento precoce da doença funcione. Para ele, essas informações são uma tentativa de evitar o foco, que é a prevenção. “Não há comprovação científica disso (tratamento precoce). No Hospital Margarida, seguimos protocolos científicos aprovados pela Associação Médica de Terapia Intensiva, Associação Brasileira de Infectologia e protocolos seguidos pela União Europeia e Estados Unidos. Não há tratamento precoce para a Covid. A verdade é que tem que se evitar o contágio”, afirmou.

Para o médico, as soluções para melhor enfrentar a doença e dar mais chance de sobrevivência aos pacientes é a qualificação dos serviços médicos, de enfermeiros, dos fisioterapeutas e demais equipes e ampliar os leitos e as condições com um serviço melhor. “A excelência do serviço diminui a mortalidade. Estamos convivendo com uma doença que agrava quadros de outras e leva à morte. Estamos precisando abastecer métodos que diminuam a mortalidade. O que faz diferença é o distanciamento, uso de máscaras e álcool em gel ou água e sabão. Tratamento precoce é simplificação da morte”, disse.

Quando procurar ajuda médica

Para o médico, as pessoas não sabem o grau da gravidade da doença. Portanto, devem procurar os postos onde há atendimento da Covid como a central do coronavírus montada pela Prefeitura. Para tanto, Marcos André sugere que o horário de atendimento seja estendido, para receber e avaliar mais pessoas. “Só assim para entender a gravidade da doença. A pessoa precisa passar por avaliação profissional para saber se precisa de oxigênio ou se pode aguardar em casa. Tem que procurar precocemente os serviços de ambulatório e deixar o hospital apenas para os casos mais graves. É preciso procurar setores médicos que classificam a doença como grave ou não grave primeiro”, disse.

“Vacina é confiável e protege demais”

Segundo o médico Marcos André, a vacina está próxima e ela é confiável. “O Butantã é referência mundial. A vacina evita que 80% das pessoas que pegam Covid não morram. É o mesmo que usar um colete numa guerra, que vai proteger você em 80% se levar um tiro. E aí, você usa ou não usa?”.

Para ele, a melhor vacina é a que temos rápido e que podemos usar. “Vacina é confiável e protege demais porque vai diminuir a circulação do vírus. É excelente e todos os infectologistas defendem. Que venha rápido”, diz. No entanto, para o médico, a vacina vai levar um tempo para gerar o grau de imunização que precisamos. Por isso, cada um deve fazer a sua parte, evitar mais mortes até a vacina chegar e fazer o efeito necessário.

Número de recuperados cresceu

Enquanto o número de infectados cresceu 76,05%, o de pessoas que conseguiu se recuperar da Covid-19 também cresceu. Em 30 de novembro, 1.790 infectados estavam livres do coronavírus, enquanto que ontem (14) havia 3.173 recuperados. A taxa de cura de quem contraiu a doença também cresceu, passando de 94,01% no último dia de novembro para 94,65% em 14 de janeiro.

Em 30 de novembro, havia 1.904 contaminados no município, número que cresceu para 2.311 em 14 de dezembro e para 2.978 em 31 do mesmo mês, chegando aos 3.352 em 14 de janeiro. As mortes eram 19 em 30 de novembro, passando para as 24 em 14 de dezembro, 40 no último dia de 2020 e 59 em 14 de janeiro.

O número de recuperados caminhou dos 1.790 em 30 de novembro para os 2.041 de 14 de dezembro, os 2.604 de 31 de dezembro e os 3.173 de 14 de janeiro. Já a taxa de recuperação estava em 94,01% no último dia de novembro. Ela desceu para os 88,31% em 14 de dezembro e os 87,44% no dia 31 do mesmo mês, mas inverteu a trajetória decrescente e voltou a subir, chegando aos 94,65% em 14 de janeiro.