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Geral
27 de Novembro de 2020
1º de dezembro: Dia Mundial da AIDS
João Vitor Simão
Parte da equipe que atua no Centro de Testagem e Acolhimento (CTA), no bairro Vila Tanque
Hoje, 215 pessoas fazem tratamento em Monlevade

A próxima terça-feira (1º) é o Dia Mundial da Luta Contra a Aids. Nesta data, celebrada em todo o planeta, são desenvolvidas ações para reforçar e conscientizar a importância da prevenção. Hoje, cerca de 215 pessoas são atendidas pelo Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) do Centro de Saúde Padre Hildebrando, no bairro Vila Tanque, em João Monlevade. Dos atendidos, 56% são homens e 44% são mulheres. A unidade é referência regional e presta assistência a pacientes de Monlevade, Bela Vista de Minas, Nova Era, Rio Piracicaba, São Domingos do Prata e Catas Altas.

De acordo com a coordenadora do CTA, Maria Luiza Maciel, todas as pessoas precisam se prevenir, pois o conceito de “grupos de risco” já caiu em desuso há bastante tempo: “hoje, prefere-se a designação de comportamentos de risco, aqueles que deixam a pessoa mais exposta ao HIV, portanto com maior chance de ser infectada”, explica. Ela diz também que, por muito tempo, “a Aids foi muito associada ao homossexualismo, e muitos heterossexuais achavam que estavam imunes. Isso não é verdade”.

Os jovens da década de 1980 eram assombrados pelo pesadelo de contraírem o HIV, vírus que ataca o sistema imunológico, pois a doença recém-descoberta quase sempre resultava em agonia e morte lenta. Porém, desde meados da década de 1990, existe um conjunto de medicamentos indicados para mitigar os efeitos da doença e prolongar a vida do paciente. Lorenzo Bandeira, farmacêutico do CTA, explica que já não são mais necessárias as grandes quantidades de comprimidos dos primórdios do “coquetel anti-AIDS”.

Segundo ele, o protocolo da Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ministração de antirretrovirais para os pacientes com a síndrome controlada. Quando fielmente seguida, segundo a equipe, a medicação consegue dar ao portador do vírus uma qualidade de vida muito parecida à de uma pessoa não infectada, com efeitos colaterais mínimos.

Uma das vitórias obtidas pelo CTA foi o fim da transmissão de uma mãe soropositiva para o seu bebê. Através de testes feitos ainda durante a gravidez, é possível detectar se uma mãe está contaminada, e caso esteja, impedir que o vírus chegue ao feto. Outro avanço no tratamento é a possibilidade de que um homem ou mulher portador tenha filhos sem infectar o parceiro ou o bebê. A unidade também testa vítimas de acidentes com objetos perfurocortantes, pois, atualmente, existe “profilaxia pós-exposição”, um tratamento que consegue eliminar o HIV se aplicado nas primeiras 72 horas após a exposição.

Alerta

No entanto, os avanços da medicina não significam falta de cuidados. Segundo a coordenadora do CTA, com as melhorias dos tratamentos, há uma outra preocupação: a de que a doença seja banalizada. Maria Luiza sente que muitos associam a prevenção a uma limitação de sua liberdade e conta que o CTA trabalha para mudar essa mentalidade. Para além da Aids, a Sífilis, as Hepatites B e C e outras doenças são causas de preocupação, pois podem ser transmitidas através de relações sexuais sem proteção.

Preconceito

Mesmo após tantas campanhas de prevenção e explicações de como a doença é transmitida, ainda existe a luta contra o preconceito. No CTA, acumulam-se relatos de pessoas que escondem a contaminação até da própria família. Muitos são tratados com discriminação, tendo pratos, talheres, roupas e toalhas mantidas em separado: “Houve até casos de pessoas que foram obrigadas a viver em ‘puxadinhos’ construídos por parentes”, conta a enfermeira Driele Souza. De fato, muitos dos pacientes recebem o diagnóstico como uma sentença de morte, como se sua vida fosse acabar ali. A psicóloga Heloísa Rodrigues faz a orientação para estes pacientes se manterem firmes no tratamento e prosseguirem com a vida e redobrando os cuidados.

CTA

Para ajudar no tratamento dos pacientes, atualmente, fazem parte do CTA o médico Marcelo Villaméa, a pediatra Amélia Barbosa, a enfermeira Driele Pereira, o farmacêutico Lorenzo Bandeira, a técnica de enfermagem Maria Eterna Marques, a psicóloga Heloísa Rodrigues, a assistente social Greide Souza e a assistente administrativa Aline Cristina. A unidade é coordenada por Maria Luiza Maciel e está instalada no Centro de Saúde Padre Hildebrando, na rua Dezessete, 28, bairro Vila Tanque.