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Geral
30 de Outubro de 2020
Mitos e verdades sobre as eleições
Voto nulo anula eleição? Voto em branco vai para o vencedor? Posso fotografar o voto?

Ao longo dos anos, os processos eleitorais acumulam mitos e dúvidas. Muitas pessoas questionam se, de fato, os seus votos serão computados para os candidatos de sua preferência. Muitas vezes, as redes sociais aumentam a confusão, e causam falsas impressões que podem interferir no resultado da escolha.

Voto em branco

Um dos mitos mais recorrentes nas eleições é de que os votos em branco são direcionados aos vencedores do pleito. Essa ideia não procede, mas, até 1988, os votos em branco eram creditados ao candidato que estivesse em primeiro lugar. No entanto, com a nova Constituição, os votos brancos e nulos são equiparados e considerados como não-válidos. A chefe do Cartório Eleitoral de João Monlevade, Hortência Trindade, explica que “os votos em branco não são computados para ninguém. São desprezados no cálculo dos eleitos, porque não são considerados votos válidos”. No entanto, o eleitor pode votar em um candidato para um cargo (prefeito, por exemplo) e anular ou votar em branco para outro (vereador), sem prejuízo para o seu voto válido.

Voto nulo

Uma lenda frequentemente difundida em redes sociais e aplicativos de mensagens é a de que, “se metade dos eleitores mais um anular o voto, a eleição é cancelada, e um novo pleito deve ser convocado”. A chefe do Cartório explica que os vencedores são escolhidos dentre os votos válidos, enquanto que os brancos, nulos e as abstenções são desprezados e não entram para o cômputo.

CPF rastreado

Um assunto que também circula é que é possível rastrear CPFs para saber em quem a pessoa votou. Essa artimanha sórdida é usada, principalmente, contra pessoas sem instrução. Eles alegam que caso o eleitor não escolha o candidato “indicado”, ele perderia benefícios sociais ou sofreria alguma forma de represália. Hortência Trindade repele essa possibilidade: “A urna eletrônica é segura. Os dados são criptografados. Não é possível descobrir quem votou em quem. Até hoje não há registros de fraude quanto à segurança da urna. Se a urna não fosse segura já se teria descoberto algo de errado nesses 20 anos em que a eleição em nosso país é totalmente eletrônica”.

Voto obrigatório

O voto é obrigatório para todos os eleitores alfabetizados entre os 18 e os 70 anos, e facultativo para aqueles que tenham 16, 17 ou mais de 70 anos no dia do escrutínio. No entanto, algumas classes não são habilitadas a ir às urnas: os menores de 16 anos, os condenados em sentença transitada em julgado, os estrangeiros não-naturalizados, os rapazes cumprindo o serviço militar obrigatório e aqueles que tiveram o título eleitoral cancelado. Esta última situação acontece quando o eleitor não vota nem justifica a ausência por três pleitos consecutivos.

Boca de urna

No dia da votação, o eleitor deve observar alguns comportamentos para evitar transtornos e até a prisão. A “boca-de-urna”, como é chamada a propaganda feita no dia do pleito, é completamente vetada; o eleitor pode apenas manifestar sua opção silenciosamente, com um broche, bandeira ou camiseta feita por si próprio. Tampouco é permitido fotografar ou filmar o voto; em eleições passadas, eleitores foram presos por cometerem tal ato.