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Geral
16 de Outubro de 2020
Projetado por Prandini, Memorial do Aço se transforma em canil no governo Simone
Lorena Silvestre
Em vez da memória e da história, o atual governo vai cuidar de cachorros. Este é o destino do Memorial do Aço, projetado e com a obra iniciada no fim do governo do ex-prefeito Gustavo Prandini. À época, orçado em R$370 mil, mal as paredes foram levantadas, as obras foram paralisadas ainda em 2012 (último ano do mandato do ex-prefeito) e nunca mais foram retomadas. A gestão do ex-prefeito Teófilo Torres ignorou a obra que recebeu recursos púlblicos na gestão anterior.

Abandonado e depredado, o “elefante branco prandinista” foi anunciado pelo governo da prefeita Simone Carvalho, em 2018, como um Centro de Controle de Zoonoses Municipal. O edital para iniciar o processo de construção foi publicado em julho daquele ano e gerou duras críticas de ativistas culturais da cidade, já que será construído em um espaço destinado à cultura e à preservação da memória das atividades siderúrgicas do município.

Segundo o documento, a Prefeitura investiria cerca de R$265 mil para implantar o centro de zoonoses no local, que receberá reformas e adequações. Entre as melhorias prometidas, estão a criação de salas de banho e tosa, baias para separar os animais e espaços próprios para vacinação e castração. Outras promessas são a realização de parcerias com escolas da cidade e a promoção de feiras para adoção dos animais.

Nesta semana, a Prefeitura divulgou o valor total da obra de adaptação do Memorial do Aço em canil municipal: R$272.025,06. A empresa AOT Ambiental e Empreendimentos Técnicos Ltda ME venceu a licitação para conduzir os trabalhos. O resultado do processo licitatório tem a A2M Soluções Eireli, com proposta de R$273.363,73 em segundo lugar. A Construtora Souza e Cia, com oferta de R$302.284,26, ficou em terceiro. A BTZ Engenharia e Consultoria Eireli ME, com R$334.043,51, ficou em quarto e, em último lugar no certame, a Rocha e Rocha Construtora que pediu R$341.058,48. Essas empresas têm prazo até hoje (16) para recorrer da decisão junto à Comissão Permanente de Licitação da Prefeitura.

Centro de zoonoses virou canil

O governo Simone Carvalho anunciou em maio de 2018 o projeto de implantar um centro de zoonoses para prevenir e controlar doenças como raiva e leishmaniose, suprindo a demanda que o atual canil não tem. O assunto repercutiu muito na Câmara Municipal, com questionamentos de vereadores. A dúvida era se a Prefeitura tinha licença para construir o centro de zoonoses e que o projeto deveria ser aprovado pela Secretaria de Estado de Saúde.

No mês de setembro de 2019, novo edital foi publicado pela Prefeitura com valor de R$263.933,07 referindo-se ao local apenas como canil. No entanto, passados alguns meses, o edital acabou suspenso porque não continha as especificações das despesas com a parte elétrica. Por fim, a última publicação só saiu em agosto deste ano.

Críticas ao local

Após a divulgação das obras do canil no Areão, surgiram críticas nas redes sociais. Muitos apontaram o local como inadequado, uma vez que o Parque do Areão recebe eventos e o som alto, além de fogos, poderiam prejudicar os animais.

O vereador Gentil Bicalho (PT) foi um dos que criticaram a obra no parque. “Estive no Areão, especificamente no local originalmente planejado para ser Centro Cultural e que a prefeitura pretende utilizar como canil municipal. Verificando as condições, constatei que o lugar é totalmente inadequado para receber animais, especialmente em razão de aspectos ambientais. Em defesa do bem-estar dos animais, lutaremos para impedir esse absurdo, solicitando à prefeitura a providência um local apropriado para receber e acolher bem os cães”, escreveu nas redes sociais.

Alternativa viável

A presidente da Associação Cãopanhia do Bem, Karen Sartori, disse que o espaço é uma alternativa viável. “Partindo do princípio que o canil deve respeitar um distanciamento mínimo residencial, dentro da cidade, de modo que facilite o acesso de voluntários e pessoas interessadas em adoção, o parque pode não ser ideal, mas temos que reconhecer que é uma alternativa viável”, afirma. Sobre o barulho em festas e eventos, Sartori diz que há uma preocupação, mas isso pode ser contornado com bom senso e empatia. “Claro que nos preocupamos com o barulho, mas temos que trabalhar com a realidade que temos. O local, com exceção de cavalgada, raramente é utilizado para grandes eventos. O espaço é grande, a localização da obra não é diretamente ligada à área utilizada em eventos, os animais não terão que lidar com o agito de pessoas (que era nossa maior preocupação), no mais é bom senso. Por exemplo, não permitir fogos em um show seria uma demonstração de bom senso e empatia”, afirma.

Já sobre o local, ela afirma que a entidade conheceu o espaço do novo canil e que a estrutura parece ser suficiente para a demanda, mas ainda precisa de ajustes. “Conhecemos o local acompanhada pela prefeita e o responsável Geva Carvalho, a estrutura administrativa parece suficiente, o que precisa ser aumentando é o espaço dos canis e suas divisões (animais debilitados, filhotes) além de criar um gatil. Fomos enfáticas nisso, eles compreenderam e concordaram”, informa.
Lorena Silvestre
Espaço só deve ser concluído no próximo ano
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