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09 de Outubro de 2020
Faculdade de Engenharia tem direção duplamente feminina
Divulgação
Júnia e Nilza assumem o comando da Uemg Monlevade
Doutora em Tecnologia Mineral, Júnia Alexandrino assume a Uemg Monlevade

ao lado da Mestre em Educação de Física, Nilza Carvalho

A Faculdade de Engenharia (FaEnge), da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), está sob nova direção. As professoras Júnia Alexandrino e Nilza Carvalho venceram as eleições realizadas no dia 30 de setembro e defendem o respeito, a diversidade, o diálogo, o saber científico e a igualdade.

A disputa foi contra a atual diretoria que tentava a reeleição (professores José Rubenildo dos Santos, diretor, e Rita de Cássia Mendes, vice). Elas receberam a maioria dos votos dos alunos (264 votos contra 59), mas perderam entre professores e servidores administrativos: 23 a 20, e 5 a 4. No entanto, a somatória dos votos foi maior.

Pela primeira vez, duas mulheres negras chegam ao cargo máximo da instituição de ensino superior em Monlevade. Júnia Alexandrino é doutora em Tecnologia Mineral, e Nilza Carvalho é mestre em Educação de Física. Para a nova diretora, a vitória é parte de um processo de resistência e igualdade. Elas trazem em suas histórias, a superação das dificuldades através do estudo. A vitória das duas representa, para Júnia Alexandrino, a vitória da diversidade e da educação da escola pública. “Se cheguei até o doutorado estudando de graça, agradeço à Escola Estadual Antônio Papini, Centro Educacional e Emip, que me deram base. Nilza também trabalha há anos no ensino público e valoriza essa educação de base”, afirma.

A diretora reforça que a educação abre portas para melhorias na vida. Júnia conta que ela e a companheira de chapa sempre tiveram uma vida simples. “Sou filha de professora aposentada e de pai metalúrgico e Nilza é filha de auxiliar de serviços gerais. Só com o estudo conseguimos melhoras na vida”, reforça.

O plano da nova diretora é fortalecer a universidade, por meio de parcerias. Para ela, a Uemg, fundada em 2006, é fruto de um projeto político e tem recebido apoio de gestores públicos. “Mas ainda é preciso avançar. Existe a necessidade de fortificação dessas parcerias para colocar a Uemg Monlevade no protagonismo junto à sociedade. E estamos dispostas a buscar essas parcerias”, afirma.

Outro caminho para aprimorar a Faculdade de Engenharia, segundo Júnia, é ouvir os servidores, os estudantes e professores, para uma gestão coparticipativa, para que a instituição assuma o protagonismo na cidade.

Entre os planos também está o de manter projetos que deram certo, valorizando os pilares de ensino, pesquisa e extensão. Junia afirma que vai continuar com o projeto do novo campus, na área do Cesec (bairro Santa Bárbara) e que está disposta a melhorar as condições de ensino para os estudantes e de tranalho para os servidores e professores. “Diante do atual momento, os desafios serão muitos, não só pela pandemia, mas pelo momento do esvaziamento de apoio à educação em todo o país”.