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28 de Julho de 2020
Testes da Prefeitura não servem de amostragem
João Vitor Simão
Testes foram realizados no último fim de semana
Os testes para a Covid-19, realizados pela Prefeitura de João Monlevade, no último fim de semana, não servem de amostragem da população total da cidade. A informação é do engenheiro de produção, professor e diretor do Instituto de Ciências Aplicadas da Ufop em João Monlevade, Thiago Silva.

Para ele, apesar dos 24 casos positivos dentre os 100 que testaram, o número não contempla a realidade de João Monlevade. Para o professor, há dois vícios de representação na testagem realizada. “O primeiro é que foi de carro. Só testou uma determinada classe social. E o segundo, é que pode haver uma pré-disposição para ir testar as pessoas que acham que já pegaram ou estiveram expostas ao vírus, ou que estavam com alguma suspeita”, afirma.

Segundo o professor, o que se pode afirmar é que dos 100 testados, 24 foram confirmados com a doença, mas isso não significa que 24% da população esteja contaminada. Outra observação apontada por ele, é que os testes não foram aleatórios e que não representam os monlevadenses de forma geral.

O professor salienta que se a Prefeitura fizer testagens aleatórias, contemplando vários perfis, por volta de 700 testes, poderia se avaliar um numero significativo da população.

Com um olhar otimista, Thiago Silva aponta que, pela quantidade de casos graves e apenas um óbito na cidade, acredita-se que Monlevade tem uma baixa difusão do vírus, em relação a outras cidades.

'Amostras devem ser representativas”

Para o estatístico Adilson Simeão, do DataMG Centro de Informação e Pesquisa, a testagem deveria seguir parâmetros que representam a população: considerando gênero, idade, bairro, renda, entre outros fatores. “Amostras voluntárias não são representativas da cidade”, afirma.
João Vitor Simão
Testes foram realizados no último fim de semana
João Vitor Simão
Testes foram realizados no último fim de semana