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Polícia
23 de Julho de 2020
Duas operações acabam com laboratório de cocaína e desmanche em Monlevade
Cinco pessoas foram presas em duas operações nesta quarta-feira (22) em João Monlevade e Rio Piracicaba. Em entrevista coletiva concedida no fim da tarde, o delegado regional da Polícia Civil, Paulo Tavares, a delegada regional-adjunta, Camila Alves, o inspetor Anderson e o investigador Eliel, além do Tenente Ezequias, da Polícia Militar, esclareceram as operações, que começaram logo ao amanhecer.

As polícias Civil e Militar se uniram na segunda etapa da Operação Ressurreição, que cumpriu com sucesso um mandado de prisão e outro de busca e apreensão. O alvo dos mandados também foi autuado por tráfico de drogas, receptação e adulteração de sinal identificador.

Na residência do homem, no bairro Loanda, foram apreendidos maconha, placas, lacres e peças de veículos, que indicam que a garagem da casa servia como desmanche. No local, havia uma caminhonete Fiat Strada, um Honda City e uma motocicleta Honda 150 cilindradas já completamente desmantelada, além de várias peças de veículos, placas e lacres de João Monlevade. A polícia investiga agora se os veículos foram roubados ou furtados.

Equipes da Polícia Militar cumpriram outros quatro mandados de busca e apreensão, inclusive na zona rural de Rio Piracicaba. Dois outros homens, um deles com um mandado de prisão em aberto, também foi detido. Todos eles já tinham passagens pela polícia, a maioria por tráfico de drogas. A polícia acredita que o bando criminoso atua em toda a região de João Monlevade.

Na primeira fase da Ressurreição, realizada em 2018, foram presas 17 pessoas. Naquele ano, começaram as investigações que culminaram nas detenções de hoje, segundo a Polícia.Todos os presos têm relação com o alvo central da operação, considerado o cerne do grupo criminoso. A delegada regional Camila Alves promete novas etapas dessa operação, com novas prisões e apreensões.

Laboratório de drogas

A Polícia Civil também desencadeou na manhã desta quarta-feira a Operação Degustar, que levou o nome da lanchonete de propriedade dos dois amigos alvos dos quatro mandados de busca e apreensão, localizada em Carneirinhos. Os dois, que foram presos e autuados em flagrante, alugavam uma kitchenette na avenida Wilson Alvarenga, em frente à Praça do Lindinho em João Monlevade, exclusivamente para o refino de drogas. Não havia sequer mobiliário no imóvel, e a proprietária era impedida de acessá-lo, conforme a Polícia.

Os mandados de prisão foram cumpridos na casa que os dois dividiam, na kitchenette e na lanchonete. No apartamento usado como laboratório, havia pelo menos 50 pares de luvas usadas e outras novas, facas, R$12.800 em espécie (incluindo dólares), três mil pinos vazios e uma grande quantidade de cocaína, além de vários materiais para o refino da droga. Também foram apreendidos relógios que valem cerca de R$ 20 mil, computadores, telefones celulares, uma caminhonete Fiat Toro e uma motocicleta. Um dos dois detidos já havia sido preso em janeiro por tráfico, mas acabou solto sob a justificativa do Covid-19.

As suspeitas apontam que, por mês, o comércio de drogas movimentava R$200 mil. A polícia agora investiga se a lanchonete servia para lavar dinheiro do tráfico. O delegado regional Paulo Tavares afirmou que muito provavelmente a matéria-prima para a fabricação do tóxico provém de fora de João Monlevade, já que eles não possuíam plantações de coca na cidade. Contra os dois presos, pesam acusações de tráfico de entorpecentes e associação para o tráfico.

Ladrão

Além das operações, um viciado em crack também foi preso hoje por diversos furtos ocorridos na cidade. De acordo com a Polícia, ele é morador do bairro Belmonte e, á mais de vinte anos, acumula diversas passagens pelo sistema prisional. Ele violou a liberdade condicional que lhe foi concedida. O homem costumava arrombar ou escalar muros de residências e comércios na cidade, aparecendo em várias filmagens. Recentemente, ele foi atacado com uma foice, ficando gravemente ferido. Ele foi preso na porta de casa.

Cooperação

Nas duas operações, a Polícia Civil mobilizou 28 agentes, enquanto que para a operação Ressurreição a Polícia Militar colocou na rua 29 de seus homens. Os delegados Paulo Tavares e Camila Alves, bem como o Tenente Ezequias, salientaram a importância da cooperação entre as duas corporações no combate ao crime. Tavares destacou também a parceria com o Ministério Público e o Poder Judiciário.

O delegado regional pediu ainda que a comunidade colabore com as polícias, denunciando qualquer atividade suspeita. Para Tavares, “o cidadão sabe de muita coisa, mas fica calado”. As informações podem ser repassadas pelos canais oficiais 190 (Polícia Militar), 191 (Polícia Civil) e 181 (Disque-Denúncia), com sigilo garantido.