Desde 1984
Brasil e o Mundo
01 de Junho de 2020
Após início pacífico, jornada de protesto nos EUA tem novas cenas de violência
DO G1

Manifestantes voltaram às ruas nas principais cidades dos Estados Unidos neste domingo (31), em mais um dia de protestos contra o racismo após a morte do ex-segurança George Floyd. Após um início pacífico, que contou com a participação de policiais em alguns estados, houve novos confrontos e prisões. Dezenas de cidades estão sob toque de recolher.

Ao menos cinco pessoas morreram desde o início dos protestos, na semana passada, segundo o jornal 'The New York Times'. Outras centenas de pessoas foram detidas nas várias cidades onde houve protestos.

  • Em Minneapolis, cidade onde George Floyd morreu, um homem com um caminhão avançou contra os manifestantes. Apenas o próprio motorista se feriu levemente, e foi preso.
  • Ao menos 40 cidades foram colocadas em toque de recolher. Entre elas, Los Angeles, a segunda maior cidade dos EUA, e a capital Washington.
  • A maior parte dos protestos ocorreu de maneira pacífica, e policiais chegaram a participar dos atos em algumas cidades à tarde.
  • No entanto, houve confrontos ao anoitecer. Há registro de conflitos em Nova York, Chicago, Boston e San Diego.
  • Os protestos se espalharam por outros países, como Reino Unido, Alemanha e Canadá. O Brasil também teve manifestações antirracistas.

Motorista avança caminhão contra grupo



Em Minneapolis — cidade estopim para a onda de protestos nos EUA —, um motorista avançou o caminhão sobre grupo de manifestantes que protestavam contra a morte de Floyd.

Segundo a Associated Press, somente o motorista teve ferimentos leves. Manifestantes tentaram agredi-lo após acelerar contra o grupo, mas o homem acabou detido em seguida. Por precaução, o local do incidente ficou isolado.

Fogo perto da Casa Branca



Na capital Washington, centenas de pessoas se dirigiram à Casa Branca, sede do poder dos EUA. Por volta das 20h (de Brasília), a situação ao redor do edifício ficou mais tensa, e policiais foram chamados para evitar que o grupo ultrapasse barreiras de contenção.

Desde a meia-noite desta segunda-feira (1º) a capital americana também entrou em toque de recolher. Bombas de gás foram lançadas contra manifestantes que atearam fogo em carros e objetos. Todas as luzes da Casa Branca foram apagadas por medidas de segurança.

Policiais participam de atos



Em diversas partes dos Estados Unidos, policiais participaram dos atos ao se ajoelharem diante dos manifestantes — um dos símbolos das manifestações, uma vez que Floyd morreu após ser visto com um policial prensando seu pescoço com o joelho.

À agência Associated Press, o chefe de polícia de Camden County (Nova Jersey), Joe Wysocki, disse que viu espaço para diálogo nos protestos antirracistas.
'Sabemos que somos mais fortes juntos, e sabemos que, juntos, em Camden, podemos criar um espaço onde a polícia é focada no apaziguamento e no diálogo', disse o policial.

Toques de recolher



Como nos últimos dias a maior parte dos tumultos ocorreram durante a noite, ao menos 40 cidades, segundo a emissora norte-americana CNN, terão toque de recolher em toda a área urbana ou em parte delas. Minneapolis, onde ocorreu a morte de Floyd e protestos tensos há quase uma semana, também continuará sob toque de recolher.

Em Atlanta, onde houve cenas de violência no centro da cidade, as autoridades de segurança demitiram dois policiais acusados de uso excessivo da força nos manifestantes.

Guarda Nacional



Militares da Guarda Nacional também atuarão nas cidades onde houver maior tensão, a pedido de governadores. No sábado, o presidente Donald Trump disse que as forças dos EUA estariam 'de prontidão' caso precisassem intervir nos protestos.

Pelas redes sociais, Trump parabenizou a atuação da Guarda Nacional nos protestos e criticou a mídia e o movimento antifascista 'Antifa'. Em tuíte, ele disse que irá designar o Antifa como uma 'organização terrorista'.

Protestos pelo mundo



A onda de protestos antirracismo se espalhou pelo mundo — foram registrados atos na Europa, no Canadá e, inclusive, no Brasil. No Rio de Janeiro, manifestantes organizaram a passeata 'Vidas Negras Importam' em frente à sede do governo. Houve tumulto.

Nas redes sociais, celebridades também se manifestaram contra o racismo: famosos como Beyoncé, Oprah Winfrey, Rihanna, Taylor Swift e Lady Gaga pediam justiça pela morte de George Floyd.

Morte de George Floyd





George Floyd morreu no dia 25 de maio, depois de ser asfixiado por 8 minutos e 46 segundos pelo policial branco Derek Chauvin em Minneapolis, no estado de Minnesota. Na sexta-feira (29), Chauvin foi detido e acusado de homicídio. Documentos obtidos pela rede americana CNN mostram que a fiança do policial foi estabelecida em US$ 500 mil (cerca de R$ 2,7 milhões).

Segundo a acusação contra Chauvin, ele manteve seu joelho sobre o pescoço de Floyd durante os 8 minutos e 46 segundos, sendo que nos últimos 2 minutos e 53 segundos o homem, negro, já estava inconsciente. A autópsia informou, entretanto, que não houve 'nenhum achado físico que apoie o diagnóstico de asfixia traumática ou estrangulamento'.

No entanto, o efeito conjunto de George Floyd ter sido asfixiado mais suas condições de saúde pré-existentes e a possibilidade de haver substâncias intoxicantes em seu corpo 'provavelmente contribuíram para sua morte', de acordo com a acusação.