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22 de Maio de 2020
Prefeitura confirma reabertura do comércio em BH: veja como funcionará
DO ESTADO DE MINAS

A prefeitura de Belo Horizonte confirmou, nesta sexta-feira (22), que a reabertura gradual do comércio não essencial começará na próxima segunda-feira (25). A decisão foi anunciada pelo secretário municipal de saúde, Jackson Machado Pinto, que coordena o Comitê de Enfrentamento à Epidemia da COVID-19 na capital mineira.

A prefeitura distinguiu os possíveis níveis de abertura do comércio em seis etapas. As quatro últimas se referem a cenários em que o estabelecimentos considerados não essenciais podem funcionar:



  • Lockdown: nível máximo de fechamento, cogitado caso haja piora expressiva nos indicadores epidemiológicos de BH;
  • Fase 0: cenário atual, em que apenas comércios essenciais podem funcionar;
  • Fase 1: cenário que será implementado a partir da próxima segunda-feira (25), com duração de duas semanas e reabertura de alguns tipos de estabelecimento;
  • Fase 2: cenário previsto para a segunda semana posterior ao início da fase 1, com maior abertura que a etapa anterior. Será implementado caso os índices epidemiológicos e estruturais sejam favoráveis;
  • Fase 3: cenário previsto para a semana posterior ao início da fase 2, com maior abertura que a etapa anterior. Será implementado caso os índices epidemiológicos e estruturais sejam favoráveis;
  • Fase 4: cenário previsto para a semana posterior ao início da fase 3, caso os índices epidemiológicos e estruturais sejam favoráveis. Indica reabertura máxima do comércio.


Na fase 1, que começa na próxima segunda-feira e durará duas semanas, poderão abrir as portas estabelecimentos que, na avaliação dos especialistas, têm menor potencial de gerar aumento significativo na circulação de pessoas na cidade. São eles:



  • Salões de beleza (exceto clínicas de estética) - Funcionamento de 7h às 21h
  • Shoppings populares - Funcionamento de 11h às 19h
  • Comércio varejista de móveis, artigos domésticos, cama, mesa e banho, tecido e afins - Funcionamento de 11h às 19h
  • Comércio varejista de papelaria, livraria, brinquedos e afins - Funcionamento de 11h às 19h (poderá abrir somente a partir de 1º de junho, na segunda semana da fase 1)
  • Comércio varejista de perfumaria, cosméticos e higiene pessoal - Funcionamento de 11h às 19h (poderá abrir somente a partir de 1º de junho, na segunda semana da fase 1)
  • Comércio varejista de veículos, peças e acessórios - Funcionamento de 8h às 17h (poderá abrir somente a partir de 1º de junho, na segunda semana da fase 1)


Se os índices de propagação da doença se mantiverem estáveis, a prefeitura pretende dar prosseguimento à reabertura nas próximas semanas. Os indicadores epidemiológicos e infraestruturais do sistema de saúde de BH serão reavaliados diariamente pelo comitê.



As fases 2, 3 e 4 só serão colocadas em prática se houver sinalização positiva dos especialistas. Não estão descartados, por exemplo, o recuo no processo e um novo fechamento das atividades não essenciais.



'Todos os dias vamos monitorar isso. Ao menor sinal de perigo, esse processo pode parar ou voltar ao anterior. Pode voltar, pode haver lockdown. Vai depender dos nossos indicadores sempre. Ninguém acha nada. São os nossos indicadores que vão dizer', disse o secretário municipal de saúde, Jackson Machado Pinto.



Para que as etapas seguintes do processo de reabertura se concretizem, a prefeitura vai estabelecer uma série de normas sanitárias que os estabelecimentos devem cumprir. Entre elas, estão o uso obrigatório de máscaras, a exposição de cartazes educativos e o respeito ao distanciamento social.



'O sucesso e a progressão (da reabertura) vão depender basicamente da população entender que é muito importante que continuemos em casa e que mantenhamos o distanciamento social', disse Jackson Machado Pinto.



Indicadores



Para avalizar o início da reabertura, o grupo levou em consideração três variáveis para detectar a expansão da doença em BH: número médio de transmissão por infectado (indica quantos novos casos de infecção se originam, em média, a partir de uma pessoa que já está infectada), ocupação de leitos UTI e ocupação de leitos de enfermaria.



Segundo o comitê, dois desses parâmetros (referentes aos leitos de UTI e enfermaria) estão na cor verde, que indica o menor nível de risco de acordo com a escala pré-estabelecida. O número médio de transmissão por infectado está na cor amarela, que designa atenção intermediária. A cor vermelha é a de maior alerta.



De acordo com a prefeitura, as taxas atuais de ocupação dos leitos de UTI e de enfermaria exclusivos para COVID-19 em Belo Horizonte são respectivamente de 40% e 34%. Já o índice de transmissibilidade está em 1,09.



Segundo boletim epidemiológico publicado nesta sexta-feira pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, a capital confirmou 1.351 casos de COVID-19. Desses, 39 evoluíram para óbito.

Como previsto, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) não participou da entrevista coletiva desta sexta-feira. O ato teve o objetivo de mostrar publicamente que quem decide os rumos científicos do enfrentamento à pandemia na capital são os especialistas, não o chefe do Executivo municipal. Do segundo andar do prédio da Prefeitura, Kalil acompanhou as declarações dos integrantes do comitê.



O grupo é coordenado pelo secretário municipal de saúde, Jackson Machado Pinto, e conta com outros três membros: Estêvão Urbano (presidente da Sociedade Mineira de Infectologia), Carlos Starling (infectologista membro da Sociedade Brasileira de Infectologia) e Unaí Tupinambás (professor da Universidade Federal de Minas Gerais).