Desde 1984
Polícia
22 de Maio de 2020
Violência doméstica - “O que pode ocorrer no período de pandemia é o agravamento da situação daquelas vítimas que já existem”
Com o isolamento social diante da pandemia do coronavírus, mulheres que já sofreram algum tipo de violência doméstica podem ficar mais vulneráveis diante dos agressores. Segundo a delegada de mulheres, da 4ª Delegacia Regional da Polícia Civil, Monique Bicalho, João Monlevade não apresentou, até o momento, aumento de casos de violência contra as mulheres. “Não verificamos um aumento no número de casos de violência doméstica. O que pode ocorrer no período de pandemia é o agravamento da situação de violência doméstica daquelas vitimas que já existem”, afirmou.

Segundo a delegada, caso essas vítimas não denunciem e nem procurem ajuda, esses crimes continuam sendo subnotificados. Por isso, a importância procurar os canais oficiais e apresentar denúncias. “Em João Monlevade a Delegacia Especializada de Violência contra Mulher fica na Rua Bernadino Brandão, 180/apto Cobertura no Bairro Rosário. O telefone para contato é o 3852 -1166 e o horário de funcionamento é de segunda à sexta de 8h30 às 12h e de 14h às 18h30”, informa a delegada.

De acordo com Monique, os dados entre 2019 e 2020, mostram oscilação nos registros, onde seria tênue afirmar que, do ano passado até agora, a violência contra as mulheres aumentou. “Em razão desta fragilidade e a incidência de outros fatores, como a coragem da mulher para realizar a denúncia, seríamos mais conservadores em afirmar que o número de registros sim pode ter aumentado de 2019 para o ano de 2020 e não a violência contra as mulheres. Mesmo porque a violência contra mulheres existe desde os primórdios. A diferença dos tempos mais remotos para os atuais é que hoje temos mecanismos e aparatos legais que garantem as mulheres uma proteção contra seus agressores e com isso dá uma maior visibilidade aos fatos”, diz.

Segundo a delegada, o número de registros não é diretamente proporcional ao índice de violência contra mulheres, “pois muitas ainda sofrem caladas em seus lares por medo do agressor ou por ainda estarem presas a estigmas do machismo que ainda está impregnado em nossa sociedade onde, dessa forma, não realizam as denúncias”, afirma. Assim, a mulher precisa ser encorajada a procurar a delegacia sempre que se sentir violentada. “É necessário que o número de registros aumente para que a violência possa diminuir. Quanto mais denúncias fizerem, mais agressores poderão ser punidos, o que pode acarretar em um desencorajamento para ocorrência de novas agressões. Vizinhos, parentes e amigos também podem oferecer denúncia pelo Ligue 180, que é um canal de denúncia anônima criada pelo governo federal funcionando 24h para receber as denúncias de violações contra os direitos das mulheres”, informa.



CICLO DA VIOLÊNCIA

A violência contra a mulher tem três fases:

O ciclo da violência é usado para identificar se uma mulher está sofrendo violência psicológica e física do marido em ambiente doméstico. O método é dividido em três etapas que consideram as atitudes do agressor durante o relacionamento. A consequência mais drástica do ciclo é o feminicídio. São eles:

Aumento da tensão:

Agressor humilha a vítima, ameaça e destrói objetos. Há críticas ao trabalho doméstico e reclamações da aparência da mulher. As ofensivas também incluem perseguição e críticas contra pessoas próximas a ela, como amigos, colegas de trabalho e familiares.

Ato de violência:

Em seguida, acontecem episódios de violência verbal, física, psicológica, moral ou patrimonial. Mulher sente paralisia, medo, vergonha, solidão, confusão e dor. A vítima costuma buscar ajuda médica e apoio de pessoas próximas neste estágio. Além disso, é quando há iniciativa registrar um boletim de ocorrência.

Lua de Mel:

É quando o homem tenta se redimir das agressões físicas e psicológicas. O homem promete que vai mudar, que aquele episódio não vai se repetir. O agressor se mostra arrependido e carinhoso. A mulher pode se sentir feliz por ver mudança e se sentir responsável pelo companheiro, o que reforça a relação de dependência.

Segundo a delegada Monique Bicalho, já na fase de tensão, apresentada no ciclo de violência doméstica com humilhações e ameaças, a mulher já deve procurar a delegacia, onde serão pedidas as medidas protetivas cabíveis, para que as demais fases não ocorram. “Não hesitem, pois a violência contra mulheres não está atrelada apenas a agressões físicas. A violência contra mulheres é qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado. Nos procure e faça valer o direito de vocês”.

Denuncie:

DELEGACIA ESPECIALIZADA DE VIOLÊNCIA CONTRA MULHER:

Rua Bernadino Brandão, 180/apto cobertura no bairro Rosário.

O telefone para contato é o 3852-1166 e o horário de funcionamento

é de segunda à sexta de 08h30 às 12h e de 14h às 18h30