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26 de Março de 2020
Fuja dos boatos sobre o coronavírus
Circulam receitas de gargarejo com água oxigenada, álcool em gel caseiro, entre outras ações que põem em risco a sua saúde

Em meio ao pânico provocado pelo coronavírus, as redes sociais são veículos para a disseminação de várias informações e opiniões sobre a epidemia. No entanto, também se multiplicam boatos, notícias inventadas e receitas “milagrosas” para prevenir e até curar a doença, aumentando o risco corrido pela população.

Circulam pela internet dezenas de fórmulas mirabolantes para não ser infectado, diagnosticar e tratar o coronavírus. Uma das mais populares diz que gargarejar vinagre previne a doença, enquanto outra diz que a imunização deve ser com gargarejo de água morna com limão. Há até quem propague que se deva bochechar água oxigenada transparente. Nenhuma dessas operações traz resultado algum, e quem as faz está tão exposto ao risco como se não fizesse. A enfermeira Viviane Ambrósio da Vigilância em Saúde (Visa) ressalta que a única prevenção é a higienização constante das mãos e o recolhimento ao lar.

Receitas miralabolantes

Também são trocadas várias receitas para, na falta de álcool em gel industrializado, fabricar o produto em casa. Nenhuma dessas formulações, que geralmente levam álcool líquido, é eficaz para desinfetar, podendo lesionar a pele humana e até provocar incêndios. Outra corrente bastante disseminada é a de que o vinagre seria mais eficiente que o álcool em gel para desinfecção, mas que “a indústria e a mídia estariam escondendo”: não existe nenhuma comprovação científica disto. Há até quem recomente pregar elásticos em filtros de papel para café para usá-los como máscara, o que não oferecerá proteção alguma contra o Covid-19.

As redes também propagam diversos testes para supostamente atestar as conseqüências do coronavírus no corpo. Um deles, endossado por “cientistas de Taiwan”, manda prender a respiração por trinta segundos para descobrir se a doença causou fibrose pulmonar. Tal artimanha não possui efeito algum, já que para detectar a fibrose são necessários exames mais específicos.

Para semear o pânico, a torrente de informações falsas não perdoa sequer a segurança da comunidade. Um áudio difundido nas redes diz que falsos agentes da Vigilância em Saúde estão entrando em casas e prédios e assaltando os moradores. A sargento Érika, da 17ª Companhia Independente da Polícia Militar, diz que nenhuma ocorrência deste tipo foi registrada na região. No áudio, a mulher fala em “rua Rio Negro antes da avenida Amazonas”: em todo o Médio Piracicaba não existe nenhuma rua Rio Negro.

Um dos principais combustíveis para a boataria é a sensação de vazamento, como se “os poderosos” estivessem escondendo uma informação, mas as fontes secretas do WhatsApp a revelassem. Por isso, é importante confiar em fontes oficiais e na imprensa séria, que apura os fatos antes da publicação. 'Informação correta é um dos antídotos na guerra ao coronavírus”, afirma Ricardo Pereira, diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ). A associação lançou a campanha 'Juntos vamos derrotar o vírus: unidos pela informação e pela responsabilidade #imprensacontraovirus'.