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13 de Março de 2020
Nozinho rompe com Antônio Carlos e deve disputar Prefeitura contra Luciana
Racha envolve até aliança com antigo rival político

Quando se candidatou a prefeito de São Gonçalo do Rio Abaixo em 2004, o ex-vereador Raimundo Nonato Barcelos, o Nozinho (PDT), foi buscar apoio no jovem Antônio Carlos Noronha Bicalho, então funcionário da Lanchonete Cascata, empresa referência à margem da BR-381. Vitorioso, levou o rapaz para o governo, confiando-lhe a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e, em seguida, a de Governo.

Reeleito, Nozinho escolheu Antônio Carlos como seu sucessor, liderando mais uma campanha vitoriosa em 2012. Novo prefeito no cargo, logo começaram os problemas diante da dificuldade de entendimento e diferentes posturas políticas. Dois anos depois, é Nozinho quem decide disputar uma vaga na Assembleia Legislativa e outra negociação teve que ser empreitada para garantir a permanência dos dois no mesmo barco, já que Antônio vinha com um candidato próprio para deputado federal que não era do grupo.

Em 2012, Antônio decide disputar a reeleição, com o apoio de Nozinho, chegando com muita dificuldade e demandando demorada articulação, mas decisivo no desafio em busca da vitória. Dois anos passados e nova eleição, com Nozinho tentando permanecer na Assembleia e as relações entre “criatura e criador” ainda piores. Novas interferências evitaram o rompimento definitivo, mas diálogo mesmo já não existia e a não reeleição do deputado pavimentou o caminho que levou ao fim da relação política.

Pouco ou quase nada conversaram a partir daí e os dois lados começaram a caminhar na contra mão. O sinal amarelo acendeu quando o ex-deputado iniciou o ano tomando de Antônio a direção e o controle do PDT em São Gonçalo, envermelhando de vez com a nota pública de Nozinho, criticando o governo de Antônio no episódio da enchente recente provocada pelo transbordamento do rio Santa Bárbara e que inundou expressiva parte da cidade.

Declaração de guerra

Na segunda-feira (9), a declaração de guerra foi oficializada com Nozinho reunindo quase 200 pessoas no sítio onde mora, destacando entre elas, muitos opositores do atual prefeito, como o vice Eduardo Fonseca, o ex-prefeito Felisberto Fonseca (Armstrong), o tradicional adversário Luzimar da Fonseca (Buzica), o ex-secretário Hélio Marcos e vereadores, entre outros.

Após passar o último ano negando a candidatura e até demonstrando falta de interesse nela, Nozinho anunciou o encontro de segunda como ajustamento do PDT para as eleições e informações aos filiados, mas ficou clara sua pré-candidatura a prefeito em busca do terceiro mandato.

No mesmo dia e poucas horas antes da reunião acontecer, a vereadora licenciada e atual secretária de Saúde da Prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo, Luciana Bicalho, acompanhada do prefeito Antônio Carlos, declarou ser pré-candidata a prefeita e afirmou que vem para a vitória. “Não entro em disputa para brincar; estou vindo para ganhar”, repetiu.



Criador e criaturas

Luciana Bicalho, tanto quanto Antônio Carlos, também surgiu na política pelas mãos de Nozinho. Ela era secretária do vereador José Márcio Bicalho, na Câmara de São Gonçalo, quando ele se desentendeu com o então prefeito Nozinho e preferiu deixar a política. Nozinho chamou a secretária dele e a convenceu a candidatar-se como vereadora.

Natural de lá e bem relacionada na região de Pacas, ela não só se elegeu, como chegou à presidência da Câmara (agora com apoio de Antônio Carlos), onde permaneceu por seis anos e só saiu porque a lei impedia mais um mandato no cargo maior do Legislativo.

Ela saiu de lá como pré-candidata a prefeita e foi assumir a secretaria de Saúde do município, onde permanece. De olho no cargo de prefeita, Luciana até pensava na possibilidade de ser vice de Nozinho, mas ele e seus novos aliados descartaram seu nome, o que a oficializou como candidata de Antônio Carlos.

Grupo do Nozinho e o PDT

Nozinho, Antônio Carlos e Luciana Bicalho eram do PDT até Nozinho assumir comando do partido neste ano em São Gonçalo e se anunciar como oposição. Agora, Antônio e Luciana procuram outro partido e podem assumir, ainda neste mês, o PSDB, comandado em Monlevade pelo grupo do conselheiro e presidente do Tribunal de Contas Mauri Torres.

O que gera maior especulação, no entanto, é como fica agora o histórico e conhecido Grupo do Nozinho que vem comandando o município nos últimos 15 anos. A maioria começou na vida pública a convite do ex-prefeito e foi herdada pelo prefeito atual. Como todo este pessoal ficará na campanha eleitoral que se inicia em 100 dias, mas que já se articula nos bastidores? A maioria ficará com Nozinho ou com Antônio? Apoiará o ex-prefeito ou Luciana Bicalho, que é prima do atual prefeito? Enquanto isto, Nozinho recebe o apoio do presidente da Câmara, Flávio Oliveira, e de outros vereadores, do ex-prefeito Felisberto, do atual vice Eduardo Fonseca e, o mais inusitado de todos, o adversário de sempre do Grupo Nozinho, o ex-vereador Buzica. É uma guerra política que promete muitas emoções, mesmo porque o prefeito Antônio Carlos está bem avaliado e a Prefeitura tem bastante dinheiro no caixa. Resta aguardar se há espaço e nome para surgir uma terceira via que aproveite a divisão do grupo histórico.