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Geral
21 de Fevereiro de 2020
Obras no Recreativo param e núcleo da Fundação CrêSer ainda não abre
João Vitor Simão
Clube do bairro Vila Tanque está abandonado
<strong>Contrato prevÊ pagamento de R$18.480,00 por ano de aluguel À Savita</strong>

As obras no clube Recreativo, no bairro Vila Tanque, estão interrompidas pouco mais de 40 dias depois de começarem. A reportagem do A Notícia esteve no local na manhã de terça-feira (18) e pôde verificar que, desde o início das intervenções, em 6 de janeiro, pouco foi feito para abrigar um novo núcleo da Fundação Crê-Ser.

O contrato assinado entre a Sociedade dos Amigos do Bairro Vila Tanque (Savita), proprietária do clube, e a Fundação Crê-Ser é de R$18.480,00 por ano,o que equivale a um aluguel de R$1.540,00 por mês. Porém, segundo o contrato assinado entre a Fundação Crê-Ser e a Savita, o pagamento será de apenas 50% do valor do aluguel no período compreendido entre a data de assinatura até o final das adequações necessárias para o início efetivo das atividades da Fundação. O contrato foi assinado em 25 de setembro de 2019. Assim, a Crê-Ser já teria pago cerca de R$3 mil para a Savita. Conforme A Notícia apurou, os recursos serão usados para o pagamento de contas em atraso, como água, luz, entre outras despesas.

Após o início das obras, o portão do clube e o letreiro foram retirados, deixando o espaço aberto dia e noite. Além disso, foram deixados no local materiais como blocos de concreto, areia e telhas de amianto. No entanto, não havia nenhum operário trabalhando no clube, e nem vigilante tomando conta das instalações. A única atividade é a de um grupo de veteranos que usa o campo de terra para jogar futebol aos fins de semana, conforme informado por moradores vizinhos.

Grande parte do Recreativo está abandonada. Nos banheiros e nos vestiários, faltam várias torneiras e vasos sanitários. O piso está coberto por lama, e várias das paredes estão pichadas. Em uma área coberta, não sobrou nenhum vidro inteiro. As tabelas da quadra de basquete estão sem redes. Até a sala de troféus do clube sofre com o desleixo. O clube se tornou um ponto fácil para usuários de drogas, mendigos e criminosos se abrigarem; um homem dorme periodicamente nos vestiários.

Procurada, a Prefeitura de João Monlevade disse que os trabalhos foram interrompidos devido às chuvas. Os trabalhadores da obra foram deslocados para atender às ocorrências relacionadas às tempestades como a do dia 25 de janeiro. Segundo a Assessoria de Comunicação, a adaptação do clube deve ser retomada em breve.

<strong>Histórico</strong>

O Recreativo, que viveu seu auge nas décadas de 1970 e 1980, é de propriedade da Sociedade dos Amigos do Bairro Vila Tanque (Savita), e seria reformado para se tornar o oitavo núcleo da Fundação Municipal Crê-Ser, que atende crianças e adolescentes. A promessa, ainda em 2019, era de oferecer oficinas de trabalhos manuais, aulas de informática, atividades esportivas e reforço escolar. A reforma começou a ser discutida desde março de 2019.

Moradores questionaram se poderiam usar o espaço do clube. No contrato, fica estabelecido que eventualmente, a Savita poderá, sob sua inteira responsabilidade, utilizar as dependências para a comunidade no horário estabelecido: após as 17h de segunda à sexta-feira e também em feriados, conforme o calendário da Fundação Crê-Ser.