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Geral
21 de Fevereiro de 2020
Prefeitura aluga prédio que “não existe” por R$7 mil
Márcio Passos
Velório alugado fica no bairro Santa Bárbara
O ano começou com goteiras sobre caixão no Velório Municipal, no bairro José de Alencar, patrimônio público que havia sido reformado por uma construtora contratada por R$200 mil há dois anos. A imagem repercutiu nas redes sociais e na imprensa, obrigando a Prefeitura de João Monlevade a procurar um imóvel provisório para alugar até que nova reforma seja efetuada.

Foi alugado sem contrato, mas apenas apalavrado, por R$7 mil por mês, a parte térrea de um imóvel no bairro Santa Bárbara para abrigar provisoriamente o velório, mas a comissão da própria Prefeitura sinalizou que o valor pago deveria ser R$3.900,00 por mês. Segundo apurado, para justificar o dobro do valor pago, a administração alugou o prédio inteiro, mas ainda sem decidir o que vai fazer com o segundo andar do imóvel.

Nesta semana, o que chamou a atenção, no entanto, é que, segundo fontes seguras que pediram para não ser identificadas, o prédio alugado não consta no registro de imóveis da Prefeitura. No endereço, está registrado um lote vago. Ou seja, a Administração Municipal não solicitou a documentação do espaço antes de ocupá-lo e, por isso, até ontem (20), a Prefeitura não tinha oficializado a locação do imóvel pelo município, criando uma situação de ilegalidade e que pode gerar improbidade administrativa.

Questionada sobre o assunto, a Prefeitura de João Monlevade, através da Assessoria de Comunicação, não respondeu se o prédio estava devidamente registrado e o que será feito com o segundo andar do prédio. O assessor, Will Jony Gomes Nogueira, disse que “a Prefeitura procurou pelo Real Pax (que possui velório particular próximo ao hipermercado) que pediu R$25 mil pelo aluguel do espaço. O local, no bairro Santa Bárbara, foi alugado por R$7 mil, expressiva economia. O contrato está sendo finalizado”. Isso no final da tarde de ontem quando, mais de três semanas após a ocupação do imóvel, o setor jurídico procurava uma saída para “legalizar” o erro de gestão.