Desde 1984
Geral
10 de Fevereiro de 2020
Início do ano letivo nas escolas estaduais marcado por falta de vagas
João Vítor Simão
Pais procuravam por vagas na Escola Estadual Antônio Papini.
Nem todos os estudantes de João Monlevade puderam ir à escola nesta segunda-feira (10). As instituições estaduais ficaram cheias, não apenas pelos alunos que voltaram às aulas hoje, mas também por pais à procura de vagas para seus filhos.

Na porta da Escola Estadual Antônio Papini, no bairro Novo Horizonte, os pais formavam uma fila apenas para deixar nome e contato para uma lista de espera, já que todas as oportunidades já estavam preenchidas. Duas delas, que preferiram não se identificar, contaram que estavam na porta do estabelecimento desde a noite de sexta-feira (7).

Já Denise Bicalho, que se mudou de Rio Piracicaba, reclamava que não havia conseguido matricular a filha, mesmo morando no mesmo bairro da escola. Letícia Luma, moradora do bairro Santa Cruz e antiga residente de Bela Vista de Minas, procurou o Papini para matricular a filha de 8 anos, já que a Escola Municipal Eugênia Scharlé também já estaria com todas as cadeiras ocupadas. Elas têm um futuro de incerteza, já que, até o momento, suas crianças não estão inscritas em nenhuma escola.

Uma longa fila também se formou ao amanhecer nas portas da Escola Estadual Doutor Geraldo Parreiras, no bairro Vila Tanque, para as matrículas no Ensino Médio e nos cursos técnicos oferecidos pela escola. Segundo a diretora da instituição, Jaqueline Reis, alguns pais ainda conseguiram vagas para os filhos, mas a maioria não obteve êxito pelo esgotamento do número de cadeiras. Ela conta que é o sistema virtual de matrículas, usado neste ano pela primeira vez, que decide em qual escola o aluno irá estudar, e que a escola simplesmente recebe a lista de selecionados enviada pelo governo do estado, não tendo nenhum poder decisório.

Na Escola Estadual Luiz Prisco de Braga, alguns pais também relataram problemas. Muitos pernoitaram na porta da escola para conseguir vagas. Alguns chegaram no início da noite de domingo (9). Uma mãe, que não quis se identificar, moradora da avenida Rodrigues Alves, a poucos metros da escola, contou ao A Notícia que fez a matrícula online da filha de 11 anos para turma do 6º ano. Porém, o nome da filha não constava em nenhuma lista e nem em turmas da escola. Segundo ela, alguns estudantes moradores de bairros longe da escola, como o Planalto, conseguiram vagas e ela que nora ao lado da escola, não.

O jovem Efraim Henrique Santos Pinho, de 19 anos, tenta uma vaga para o irmão, de 14 anos, na Escola Luiz Prisco de Braga. Ele chegou às 3h da manhã e não conseguiu a matrícula. “O sistema acusa a existência de vaga, mas a escola diz que não tem mais nos turnos matutino e vespertino para 1º ano do Ensino Médio. Apenas no noturno”, disse.

A secretaria da Escola foi procurada e não quis comentar sobre o assunto, afirmando que apenas a Superintendência Regional de Ensino (SRE) está autorizada a falar. No entanto, ninguém atendeu e nem retornou às ligações até a publicação da postagem.