Brasil e Mundo
5 de novembro de 2018

Bolsonaro aposta na pressão das redes sociais no Congresso

Reprodução

DO JORNAL O TEMPO

Presidente eleito pretende usar a dinâmica que o fez vencer as eleições na relação com o Legislativo

Brasília. Para construir a relação do governo com o Congresso Nacional, o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pretende apostar na dinâmica que o fez vencer as eleições. A estratégia é usar o peso do resultado das urnas para formar maioria e, caso seja necessário, a pressão das redes sociais para fazer avançar sua agenda no Legislativo. Mas, conforme informações do jornal “O Globo”, os parlamentares se mostram céticos em relação a um modelo que não passe pela tradicional negociação do Planalto com os partidos.

A nomeação do juiz Sergio Moro para assumir o ministério da Justiça sinaliza ainda que Bolsonaro será inflexível na proposta de não trocar apoio por cargos. A aposta é que essa escolha de ministro ajude a manter sua popularidade em alta e lhe dê força para se sobrepor no Congresso aos interesses da velha política. O primeiro desafio será votar a reforma da Previdência. O novo presidente disse que gostaria de ver algum projeto da área aprovado antes de tomar posse. Contudo, lideranças afirmam que não há clima para isso.

Análise

Deputado reeleito, delegado Waldir (PSL-GO) avalia que a forma de Bolsonaro se comunicar com a população será fundamental para aprovar a reforma. “Podemos trabalhar com as bancadas e com auxílio dos governadores e prefeitos, que também estão interessados, por exemplo, na reforma da Previdência. Mas a linha é sem negociação em troca de cargos. Isso ficou claro com a nomeação de Moro”, declarou.

Político experientes avaliam que popularidade é um ponto importante para o governo na hora das votações. Porém, para conseguir governar, eles acreditam que Bolsonaro vai ter que negociar com os partidos. “Colocar o Moro é positivo para que ele mantenha a chama acesa com o povo. Isso, no entanto, de maneira nenhuma dará a ele a posição de não precisar negociar. Mas o Congresso vai ter que se enquadrar e não esperar o toma lá dá cá”, pontua o deputado José Rocha (BA), líder do PR.

O atual líder do governo, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), concorda que ele deve continuar usando as redes sociais para se comunicar com a população, mas pondera que a popularidade de Bolsonaro não é absoluta e que o país vem de uma eleição polarizada. O peso da ferramenta como pressão sobre os parlamentares, segundo ele, é relativo: “Isso não quer dizer que o Bolsonaro vai colocar um tema e terá aderência imediata no Congresso”.

Pressão

Ações. Filho do presidente eleito, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) deve ter papel central na relação do Planalto com o Congresso. Ele já disse que é possível usar a pressão das redes para com os políticos.

Sem julgamento

Processos

As ações penais em que Jair Bolsonaro (PSL) é réu por injúria e incitação ao crime de estupro por ofender a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) devem ser analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) depois do mandato dele como presidente. As informações são da “Coluna do Estadão”.

Restrição

A Constituição proíbe que o presidente da República seja responsabilizado por atos anteriores ao mandato. Depois que Bolsonaro assumir o Planalto, em 1º de janeiro de 2019, as ações devem ser suspensas até o final do governo.