Brasil e Mundo
5 de novembro de 2018

Zema quer terceirizar serviços administrativos feitos por PMs

Reprodução

DO JORNAL O TEMPO

O governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), quer negociar com a Polícia Militar (PM) a terceirização de serviços administrativos que atualmente são realizados por quadros da corporação. Hoje, há militares responsáveis por elaborar folha de pagamento, por cuidar de compra de material, além de desempenharem serviços de secretários e atendentes. O empresário destaca, porém, que não quer impor nada, mas discutir essa possibilidade.

“Nós temos uma das melhores polícias militares do Brasil. Uma das mais antigas e respeitadas. Mas as boas práticas administrativas dizem que é possível fazer a terceirização de alguns serviços. Você não precisa ter ali dentro um militar desempenhando papel de um contador. Alguém que tenha que atender telefone não precisa ser um militar formado. Você pode contratar um especialista para isso e que, com certeza, vai custar bem menos que um policial, que é tão bem preparado e poderia estar ocupando uma função mais nobre”, disse Zema.

A Polícia Militar conta hoje com pouco mais de 40 mil policiais, e boa parte deles tem como principal função desempenhar atividades administrativas dentro da corporação. Hoje, a PM de Minas representa a terceira maior despesa do Estado, atrás somente do gasto para o pagamento da dívida e o custo previdenciário. Segundo dados do portal da transparência de Minas Gerais, em 2017, foram investidos R$ 11 bilhões na corporação, o que representa 12% de tudo que o governo gastou no ano passado.

Se houver a terceirização dos serviços administrativos da PM, o Estado poderia economizar com redução do quadro efetivo no longo prazo ou reforçar o número de policiais que atuam no setor operacional.

Apesar de destacar que as boas práticas de gestão apontam para a terceirização de tarefas que não representam a atividade fim da corporação, Zema destacou que quer dialogar e que não é o dono da verdade. “Se for para o bem do mineiro, nós vamos discutir com a Polícia Militar. Queremos dialogar. Eu não tenho a postura de impor as coisas. Eu sempre escutei, sempre cedi em alguns pontos. Não me considero o dono da verdade. Mas faz todo o sentido fazer essa terceirização”, disse o governador eleito.

Combate à corrupção. Romeu Zema quer fortalecer a Controladoria Geral do Estado (CGE) e a Ouvidoria Geral do Estado (OGE) para aumentar o combate à corrupção. Segundo ele, é possível estruturar melhor esses órgãos para ampliar o controle de possíveis atos de corrupção ou de falhas na máquina estatal. “Eu já ouvi dos servidores que é possível dar uma atenção melhor a esse serviço de auditoria e eu quero também melhorar a ouvidoria para que o cidadão possa denunciar qualquer ato errado”, finalizou.


Empresário chama jetons de ‘hipocrisia’
O empresário Romeu Zema (Novo) classificou como hipocrisia o fato de secretários do Estado não receberem salários condizentes com a importância do cargo, como seria na iniciativa privada, mas ganharem um acréscimo em seus vencimentos, chamado de ‘jetons’, por participarem de conselhos administrativos de empresas estatais. Ele disse que isso precisa ser corrigido, mas ressaltou que não é prioridade.

“Aqui, o governador ganha R$ 10 mil, secretários ganham R$ 7.000 e ficam fazendo essas jogadas, essa hipocrisia. Isso carece de uma reforma administrativa, até no âmbito nacional, para ficar claro: ministro ganha tanto, presidente ganha tanto. Ficam usando esses puxadinhos e artifícios e, no final das contas, ninguém sabe quanto aquele secretário ganha, não sabe em que conselho está”, declarou Zema.

Questionado se vai conseguir contratar técnicos para serem secretários, por conta do salário menor do que a iniciativa privada e do compromisso de que eles só vão receber após a regularização do vencimento dos servidores, Zema afirmou que alguns dos candidatos a esses cargos com quem conversou não dependem desse rendimento: “Mas podemos cair nessa situação e aí vamos ter de analisar. Se tivermos que voltar atrás do compromisso, quem sabe eu mesmo vou ter que pagar”.

Em cartório

Ato. Zema disse que assumiu o compromisso de ele e os secretários não receberem salários enquanto a situação dos servidores não estiver regularizada porque acredita que “exemplo vem de cima”.