Brasil e Mundo
5 de novembro de 2018

Empreendedora dá novo ânimo à produção de bucha vegetal, em Bonfim

Reprodução

DO G1

Na “capital brasileira da bucha vegetal”, o negócio de Denilda, a Branca, impulsionou atividade que estava em decadência


A bucha vegetal é uma trepadeira, em formato de baga, com aproximadamente 50 cm, semelhante a um pepino. Seu uso mais comum, consagrado no mundo todo, é durante o banho, como esfoliante natural e, de quebra, como auxiliar na circulação sanguínea. A cidade de Bonfim, na região Central de Minas, 8 mil habitantes, a 80 quilômetros de Belo Horizonte, é considerada como a “capital brasileira da bucha vegetal”. O cultivo e o comércio da planta começaram nos anos 1950. O processo era confuso, sem organização, o que quase lhe custou a continuidade. Em 2003, o Sebrae fez um diagnóstico da produção e elaborou projeto com a prefeitura para recuperar a atividade. O resultado foi sentido pelos pequenos produtores.

É o caso de Denilda Maria de Oliveira, conhecida como Branca. Em 2010, ela e um sócio montaram a empresa Buchas Bonfim de Minas, para comercializar itens feitos com o vegetal. Inexperientes, sem conhecimento do mercado, começaram mal. Meteram os pés pelas mãos e quase desistiram. Na verdade, o sócio desistiu e Branca ficou sozinha. “Para começar, eu não sabia que uma bucha tem vida útil de quatro meses. Juntei estoque enorme e não tinha para quem vender”, diz. Quando vendia, aceitava pagamento com cheque, que era sustado e ela não recebia. Mal informada, chegou a pagar R$1,5 mil por uma máquina que valia R$ 28, e com a qual confeccionava as buchas de banho. Foi quando ela buscou apoio no Sebrae.

Por meio de consultorias, ela aprendeu como controlar estoque, a elaborar preço de venda, fluxo de caixa e a prospectar mercado. Com a ajuda da instituição, Branca participou de feiras e de um programa de televisão que lhe trouxeram grande visibilidade. A assessoria recebida abrangeu até aspectos simples, como a troca de lugar das buchas nas gôndolas dos supermercados e a utilização das maquininhas de débito e crédito. “Acabaram-se os canos”, comemora.

Atualmente, a produção da Buchas Bonfim de Minas é de aproximadamente 2 mil peças por mês, número que, no verão, pode chegar a 5 mil unidades. As buchas de banho são confeccionadas em diferentes versões: tem a cor brasil (de 12 cm X 11cm, com estampas coloridas numa das faces) a bucha luva (com suporte para o dedo) e a dorsal (para as costas). A produção vai para supermercados da região e já é escoada para outros locais, como Montes Claros, no Norte mineiro, e a sulista Três Pontas.

Ainda orientada pelo Sebrae, Branca se juntou a outros seis fabricantes e formaram uma associação. A captação das buchas junto aos produtores é conjunta, mas a comercialização fica a cargo de cada um. Antes, a dúzia era vendia por R$14 para atravessadores, que a revendiam no mercado por R$25. Hoje, com o fortalecimento da associação, os R$25 vão direto para os fabricantes. A organização dos produtores impactou diretamente na produção. Dados da Emater-MG indicam que Bonfim tem, hoje, cerca de 80 hectares plantados e 100 mil dúzias de buchas produzidas por ano.

Nos planos futuros, Branca, naturalmente, pensa em aumentar as vendas. Embasada pelo Sebrae, ela sabe que descobriu o caminho certo, incluindo o atalho de terceirizar serviços. “Apanhei muito lá no começo, mas o Sebrae me ajudou a agir”, reconhece.