Brasil e Mundo
6 de agosto de 2018

Estrada da morte também causa acidentes em pistas duplicadas

Reprodução Internet

DO ESTADO DE MINAS

Nas pistas simples da 381, a morte vem em colisões frontais ou ligadas aos obstáculos impostos por obras. Nas duplicadas, alta velocidade aproxima a letalidade do melhor trecho à do mais perigoso

Uma das principais rodovias do Brasil, a BR-381, via importante para fazer a conexão entre São Paulo e o Nordeste do país passando pelo interior do território nacional, engloba atualmente três realidades completamente diferentes. Seus 787 quilômetros em Minas Gerais se dividem em 313 de pistas simples e 474 de rodovia duplicada, além de pontos dentro do trecho em que não há barreira física entre os sentidos e estão em obras, que se arrastam para a tão sonhada duplicação. Apesar das diferentes características, uma coisa é comum a todos segmentos dessa estrada: ainda que por meios diferentes, a morte passa pelos três. Enquanto o excesso de velocidade é o principal vilão da parte duplicada entre Belo Horizonte e São Paulo, provocando capotamentos, saídas de pista, colisões em objetos fixos e uma série de outros acidentes, no percurso de 313km entre BH e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, o maior perigo é representado pela colisão frontal. No meio desse caminho ainda entram os obstáculos impostos pelas obras de duplicação, como estreitamentos de pista e falta de sinalização, que potencializam os efeitos da imprudência.
O que mais chama a atenção da BR-381 é que ela é, ao mesmo tempo, tratada como rodovia da morte e melhor estrada de Minas Gerais. A primeira caracterização vale para o caminho entre a capital mineira e Governador Valadares, devido ao histórico de tragédias, especialmente nos 110 quilômetros até João Monlevade, extremamente sinuosos. Já a segunda leva em conta a pista dupla, com duas faixas de circulação (às vezes até três) para cada sentido, viadutos para possibilitar os acessos e acostamento em todo o trecho. Porém, a diferença nos adjetivos atribuídos a cada segmento não se mantém quando o assunto é a mortalidade. Em 2016, houve 1.254 acidentes, com 90 mortos, nos 313 quilômetros da pista simples dessa BR, o que significa mortalidade de 0,28 por km. No lado oposto, foram 3.362 acidentes e 103 mortes nos 474 quilômetros, o que confere ao trecho uma mortalidade de 0,21/km.
Já em 2017, foram 1.035 acidentes e 97 mortes na parte simples, média de 0,31 óbitos por quilômetro. Na parte dupla, foram 3.142 acidentes com 125 mortos, média ligeiramente inferior à do outro trecho, de 0,26 por km. O mestre em engenharia de transportes pelo Instituto Militar de Engenharia do Rio de Janeiro Paulo Rogério Monteiro destaca que, em uma rodovia duplicada como a Fernão Dias, os excessos no acelerador passam a ser o principal risco ao qual os motoristas se expõem e por isso é importante controlar a velocidade. “Mas temos que lembrar que no outro trecho da 381 a letalidade das batidas, quando comparamos mortes por acidente, é maior. Precisamos de menos acidentes para alcançar os números parecidos de morte, então, as intervenções são mais urgentes nos trechos simples”, afirma. O especialista também sustenta que o volume de tráfego é mais intenso na parte duplicada, até em função da capacidade maior da rodovia, o que faz com que o segmento simples da estrada seja ainda mais perigoso, porque sua letalidade leva em consideração um volume menor de condutores.