Geral
1 de junho de 2018

Chefe de enfermagem denuncia pressão da Prefeitura e falta de estrutura para jogos

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Morte de atleta repercute no Conselho de Saúde

A morte do atleta amador Benedito Aparecido Domingues, de 44 anos, ocorrida no último domingo (27) no estádio Louis Ensch, durante uma partida da Copa Interbairros de Futebol, gerou debates e denúncias em reunião do Conselho Municipal de Saúde de João Monlevade, realizada na tarde da última terça-feira (29), na Câmara Municipal.
O caso foi levado à plenária pela professora Maria Cristina Ângelo Passos. Ela relatou que presenciou o episódio porque acompanha o time treinado pelo filho dela.
Após o relato, a denúncia mais grave envolvendo o assunto partiu da coordenadora de enfermagem da Secretaria Municipal de Saúde e conselheira de saúde, Joana Palheiros. Ela afirmou, categoricamente, que sofre pressão para disponibilizar profissionais de saúde para eventos esportivos promovidos pela Prefeitura. Porém, não há estrutura adequada para realizar o trabalho. Em sua fala durante o encontro, Joana diz que é pressionada pelo secretário municipal de Esportes, Mário César, para disponibilizar os profissionais. "Há pressão para mandarmos os profissionais, mas não há suporte e estrutura adequada para realizar o trabalho de acompanhamento dos eventos esportivos. Não adianta termos enfermeiros e técnicos, se há deficiências. A ambulância, por exemplo, é de transporte comum, não com estrutura de UTI. O profissional vai porque é obrigado, pois não tem estrutura", afirmou.
Outra conselheira, a fisioterapeuta do Serviço de Fisioterapia Municipal (Sefim), Fabíola Ebert, também alertou para a falta de estrutura para acompanhar eventos esportivos na cidade. "Não adianta ter o fisioterapeuta nos jogos, é necessário profissionais que tenham treinamento em primeiros socorros. As maletas levadas, por exemplo, são precárias, com gaze, faixas, esparadrapo e talas, são poucos materiais. Inclusive, temos a informação de que o Sefim não vai mais participar desses eventos e disponibilizar profissionais", disse.
Os profissionais de saúde também destacaram que não são contra os eventos esportivos e não defendem o fim dos mesmos, mas que é preciso oferecer uma estrutura de atendimento de saúde e emergência mais adequados para os eventos.
Na ocasião, o Conselho Municipal de Saúde também aprovou uma convocação à secretária de saúde, Andréa Peixoto, e ao secretário de Esportes, Mário Cézar, para prestar esclarecimentos sobre a morte do atleta e sobre o assunto.

Atestados

Na manhã da última segunda-feira (28), um atleta que disputou por vários anos a Copa Interbairros de Futebol, que preferiu não se identificar, entrou em contato com a redação do jornal A Notícia afirmando que, de acordo com o regulamento da competição, é exigida a apresentação dos atestados médicos dos atletas assinados por um profissional de saúde, constando que eles estão aptos para jogarem, porém, a grande maioria não apresenta o laudo médico. "Joguei o campeonato e já montei times para a competição e posso afirmar que a maioria dos times não apresenta os atestados de saúde exigidos pela Secretaria de Esportes, que também é omissa e não cobra. Antes de entrar em campo, os times têm que apresentar os laudos assinados e carimbados por um médico e quase ninguém apresenta e não é cobrado. Isso coloca em risco a vida de quem joga a competição, já que é um campeonato amador, não são atletas profissionais. Muitos podem não estar aptos para jogar", alertou.
Questionada sobre o assunto, a Prefeitura afirmou que, segundo o secretário de Esportes e Lazer, Mário César, as equipes assinaram um termo de responsabilidade sobre a participação de seus atletas. O Executivo também informou que proporcionou todo o apoio à família do atleta em questão, inclusive, colocando um ônibus à disposição para levar os familiares e amigos enlutados para o município de São Domingos do Prata, onde o corpo foi sepultado na tarde de segunda-feira 28).