Geral
14 de março de 2018

Repasses ao Margarida - Secretário de Fazenda nega irregularidades em depósitos

Luiz Ernesto
Reunião do Conselho Municipal de Saúde teve momentos tensos na Câmara

Porém, fala não convenceu conselheiros de saúde

Durante reunião do Conselho Municipal de Saúde de João Monlevade, realizada na tarde da última terça-feira (13), o secretário municipal de Fazenda, Tiago Duarte, reforçou a tese de que as possíveis irregularidades em relação aos depósitos feitos através de CNPJ extinto para Hospital Margarida tratam-se de erro material. Porém, a fala não convenceu aos membros do conselho e aos autores da denúncia. O encontro foi realizado na Câmara Municipal.
De acordo com Tiago, que é advogado, foi feito um levantamento juntos ao Banco do Brasil e, segundo a instituição, são conferidos apenas os oito primeiros dígitos do CNPJ, o que acarretou no problema. O secretário também reforçou a teoria de que os repasses da Prefeitura ao Hospital Margarida foram feitos através do CNPJ correto e oficial. "Como foi dito antes, trata-se de um erro material. Não houve nenhuma irregularidade. Trouxe a movimentação de um mês para comprovar o fato. Como o volume de papeis é muito grande, está tudo à disposição de todos na sede da Prefeitura", afirmou.
O também advogado Fernando Fonseca Garcia, que fez a denúncia publicamente e a encaminhou ao Conselho Municipal de Saúde, se mostrou insatisfeito com as explicações do secretário de Fazenda do Executivo. "Isso não é suficiente. Queremos os extratos bancários das contas da Associação São Vicente de Paulo. Agradecemos sua presença, mas ela não ajudou nada. Lamento muito o governo Simone tentar blindar o provedor José Roberto Fernandes. Inclusive, onde está ele, para nos esclarecer os fatos? É uma pena, mas o senhor secretário não veio aqui para defender a população de João Monlevade e muito menos a verdade. Veio para blindar o governo e o provedor do hospital", destacou.
O jornalista Chico Franco, que também denunciou os fatos em seu programa na rádio Comunicativa, demonstrou irritação com as explicações do secretário. "Está tudo errado. Não houve denúncia contra a Prefeitura, mas em relação à Associação São Vicente de Paulo. Não é essa a explicação que queremos. Queremos esclarecimentos sobre os depósitos feitos ao longo de onze anos", disse.

Política

Em uma de suas falas, o secretário Tiago Duarte se mostrou irritado em virtude da negativa do advogado Fernando Fonseca em ler os documentos levados por ele. Fernando alegou que a origem dos papeis já os invalidava. Nesse momento, Tiago afirmou que motivações políticas pareciam nortear as denúncias. "Não entendo como podem desvalorizar os documentos trazidos sem ao menos lê-los. Não entendo o que está acontecendo. Se há um preconceito, não sei dizer. O que parece é que há uma motivação política na denúncia feita", afirmou o secretário.
A conselheira de saúde Jalva Ribeiro respondeu a afirmação do representante do Executivo e afirmou que as posições do Conselho não se baseiam em política. "Achei muito infeliz sua colocação, Tiago. Nós aqui estamos representando os usuários do serviço de saúde. Trabalhamos em prol deles. Não há politicagem. E aproveito para dizer que vamos até o fim. Vamos notificar o hospital, a Associação São Vicente de Paulo e procurar os bancos, com toda essa documentação", disse.
Jalva ainda criticou a postura da direção do Hospital Margarida, por não prestar esclarecimentos e não comparecer às reuniões do Conselho. "A verdade é que a direção do hospital acha que somos um bando de desocupados e não comparece aos nossos encontros", desabafou.