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11 de agosto de 2017
Leris Braga demite Eduardo Quaresma da Amepi
Arquivo JAN
Eduardo Quaresma (e) foi demitido da Amepi. Na foto, ao lado do ex-presidente da entidade, Fernando Rolla
Engenheiro foi dispensado sem aval de prefeitos associados. Presidente fala em modernização, economia e legalidade

O prefeito de Santa Bárbara e presidente da Associação dos Municípios da Mi-crorregião do Médio Rio Piracicaba (Amepi), Leris Braga (PHS), demitiu na manhã de terça-feira (8) o secretário executivo da entidade, Eduardo José Quaresma. Ele trabalhou na Amepi por 22 anos, passando também pelo cargo de engenheiro civil da associação. Eduardo Quaresma ficou 16 anos à frente da Secretaria Executiva da entidade, quando trabalhou com prefeitos e ex-presidentes diversos. A assessora de comunicação, Dôra Soares, que estava na Amepi há 7 anos, também foi demitida por Leris Braga.
As decisões do presidente não foram levadas aos prefeitos associados em assembleia. Na semana passada, Leris Braga, também sem aval dos chefes do executivo, não renovou o contrato de dois engenheiros que atendiam há anos as prefeituras da região. Na ocasião, A Notícia ouviu prefeitos que discordaram da medida tomada. Sobre a demissão de Eduardo e as mudanças promovidas na Amepi, os prefeitos foram procurados, mas não comentaram o assunto.
Na última reunião, em julho deste ano, que contou com apenas seis prefeitos e representantes de prefeituras, o presidente falou que faria mudanças e prestou contas dos primeiros seis meses de gestão, além de tratar das questões administrativas e financeiras da Amepi. No entanto, não falou de detalhes e nem da demissão do secretário executivo, conforme A Notícia apurou com participantes da reunião. O encontro ocorreu na sede da Amepi, durante as férias de Eduardo Quaresma.
Desde que assumiu a presidência, em janeiro deste ano, Léris tem feito contínuas críticas às administrações passadas e aos ex-presidentes da entidade. Em nota enviada à imprensa, nesta semana, o presidente afirma que as ações são pautadas na legalidade, na transparência e deixa subtendido que, antes, havia irregularidades cometidas por ex-presidentes. “Pautado na legalidade da gestão, embasada em seu estatuto e na transparência dos atos administrativos, com maior proximidade com as cidades associadas pela Amepi Itinerante, presidente implanta nova dinâmica administrativa à Instituição”, diz o subtítulo do texto.
A nota afirma ainda que “Leris propôs que a presidência tenha a liberdade de fazer um corte de pessoal, mantendo resguardados os direitos da CLT”. Porém, em outra parte, o texto afirma contraditoriamente que “Leris sugeriu que quando for necessário fazer alguma alteração no quadro de pessoal, fosse realizada uma assembleia. Contudo, os prefeitos e representantes dos municípios preferiram que a tomada de decisão ficasse a cargo do presidente”, diz o texto.

Surpresa

Procurado, Eduardo Quaresma afirmou que foi pego de surpresa da decisão do presidente. Ele informou que retornou de férias na ultima segunda-feira (7) e foi demitido na quarta-feira. “Fiquei surpreso, mas estou tranquilo porque tenho fé em Deus e minha dedicação à Amepi, ao longo de 22 anos, foi baseada no amor à entidade e no trabalho de sucesso e parceria com todos os ex-presidentes que estiveram à frente da entidade. Nesse momento, recebo o carinho e todo o apoio da minha família e dos meus amigos e desejo sorte à Amepi”, disse.

Ex-presidentes não concordam com Leris Braga

Os três últimos presidentes que antecederam Leris Braga na Amepi não concordaram com a atitude dele. Nem de demitir o secretário Eduardo Quaresma, com quem trabalharam em seus mandatos, nem das críticas feitas por Braga a supostas irregularidades na entidade e no estatuto.
O ex-prefeito de São Domingos do Prata, Fernando Rolla, que presidiu a Amepi por quatro anos e que antecedeu Leris Braga, disse que a decisão foi séria e deveria ter a aprovação da maioria dos prefeitos em assembleia. Ele também classificou a medida como autoritária. “A decisão de tirar pessoas capacitadas sem motivo não deveria ter sido unilateral. Considero autoritarismo da parte de Leris porque a Amepi não é uma prefeitura, é uma associação. A entidade deve muito de seu crescimento ao trabalho de Eduardo, ao longo desses 22 anos. É uma prerrogativa dele (presidente), mas não concordo do jeito que foi”, disse. Sobre possíveis erros, Fernando disse que se há irregularidades na instituição, elas não deveriam ser insinuadas, mas apontadas e provadas”, disse.
O também ex-presidente, José Maria Repolês, ex-prefeito de Dom Silvério, também discordou da medida. Ele lamentou a demissão do secretário e afirmou que a Amepi tem três décadas de história e sempre teve uma equipe bem formada, competente e comprometida e que Eduardo tem bom caráter e conhece a Amepi como ninguém. Repolês afirmou que Leris, por ser jovem, deve ter uma nova visão. “Esse rapaz é novo, talvez tenha uma nova visão e ache que os mais experientes não saibam de nada. Todos os presidentes pensaram no bem da região, ele também deve estar pensando, mas da forma dele”, disse. Sobre as insinuações de irregularidades e críticas feitas, José Maria falou que não tem nada a esconder. “Se tiver algo errado, que ele prove”, disse.
Também o ex-presidente e atual deputado estadual Raimundo Nonato Barcelos, o Nozinho (PDT), afirmou que a dispensa de Eduardo, do jeito que ocorreu foi uma injustiça. “Considero uma injustiça grande, porque é um funcionário capacitado e que sempre ajudou a região com seu trabalho e dedicação. Não concordo porque os prefeitos deveriam ter sido ouvidos em sua maioria”, disse. Nozinho disse que a Amepi é séria e, se o presidente suspeita de irregularidades, ele deveria propor uma sindicância. “Acredito que se ele acha que tenha irregularidades no estatuto ou algo errado na Amepi, que convoque assembleia para aprovar uma auditoria e apresente os erros”, afirmou.
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