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20 de abril de 2017
Rodrigo de Castro é citado em “listão” da Odebrecht
Reprodução Facebook
Rodrigo de Castro (c), acusado de receber caixa 2, tem fortes ligações com políticos de João Monlevade e região
Alexandre Silveira, Bernardo Santana e Nilmário Miranda, votados na região, também aparecem

O deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB), um dos principais apoiadores de diversos políticos do partido em João Monlevade, apareceu na lista da empreiteira Odebrecht, como um dos que receberam pagamentos irregulares de caixa dois da empresa. A informação está na Planilha do delator Benedicto da Silva Júnior, o BJ. Ele comandou o Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira, onde funcionava o centro de distribuição de propina da empresa. O documento foi entregue ao Ministério Público Federal (MPF) e apresenta informações de repasses de dinheiro, via caixa dois, a 179 políticos entre 2008 e 2014. Desses, 41 são mineiros. Além de Castro, também aparecem na lista os políticos Alexandre Silveira (PSD), Bernardo Santana (PR) e Nilmário Miranda (PT), sempre votados na região.
Identificado na lista com o apelido de “Castor”, o deputado federal Rodrigo de Castro, um dos principais apoiadores de diversos políticos do partido em João Monlevade e região, recebeu R$250 mil, divididos nos anos de 2010 e 2012. De acordo com a planilha, o dinheiro foi pago sem a presença de intermediários. No documento consta que, em 2010, ano em que Castro se candidatou à reeleição como deputado federal, foram feitos três pagamentos de R$ 50 mil, com o propósito de “disposição para apresentar emendas/defender projetos no interesse da companhia”. O quarto pagamento a Rodrigo de Castro, segundo o documento, foi de R$ 100 mil e realizado em 2012, ano de eleições municipais, com a justificativa de “pedido de apoio para sua base política”.
João Monlevade é uma das bases de atuação do deputado federal Rodrigo de Castro e, em 2012, o PSDB elegeu Teófilo Torres à Prefeitura. O deputado tem forte ligação com o município, desde que foi eleito pela primeira vez, em 2006, com amplo apoio do então prefeito da cidade, Carlos Moreira. Rodrigo é filho de Danilo de Castro, amigo pessoal do ex-deputado estadual e atual Conselheiro do Tribunal de Contas, Mauri Torres. Por isso, Castro sempre está presente no município durante campanhas eleitorais.
Para se ter ideia da ex-pressividade do político na cidade, nas ultimas eleições, em 2014, Rodrigo de Castro recebeu 7.354 votos em Monlevade, com maciço apoio dos tucanos. Entre eles, os irmãos Teófilo, que era prefeito e Tito Torres (PSDB), eleito deputado estadual no mesmo ano. A retribuição do deputado ao município vem sempre com recursos destinados através de emendas e projetos. Recentemente, ele esteve na cidade quando visitou as dependências do Hospital Margarida, acompanhado da prefeita Simone Carvalho (PSDB). Revista do Hospital informa que Castro recebeu projeto da prefeita para apoio ao Hospital. A Notícia enviou questionamentos á assessoria do deputado federal, mas até o fechamento desta edição, esses não foram respondidos.

Região

Rodrigo de Castro é natural de Viçosa e tem em suas bases eleitorais diversas cidades da região, além de João Monlevade. No início deste ano, o deputado prestigiou a posse da presidência da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Piracicaba (Amepi), onde recebeu cumprimentos e ouviu pedidos de ajuda de diversos prefeitos. Em postagem no Facebook, no dia 6 de janeiro, Rodrigo de Castro reforça apoio à região. “Ainda sobre ontem, com o prefeito Leris Braga, de Santa Bárbara, que é o novo presidente da AMEPI e com o deputado estadual Tito Torres. Parabéns ao competente, dinâmico e honesto prefeito, que tem a importante missão de liderar os prefeitos do Médio Piracicaba. Ainda conosco, Carlos Moreira, ex-prefeito de João Monlevade, além dos amigos prefeita Simone, esposa do ex-prefeito, Zé Roberto, provedor do hospital e esposa Fabrício, o vice, e sua esposa Teófilo Torres e Tito Torres. Foi uma grande noite para nós mineiros. Desejo sucesso e muitas conquistas para nossas lideranças que trabalham fortemente para essa região e toda Minas Gerais”, escreveu. Ele também posou ao lado do prefeito de Rio Piracicaba, Antônio Cota (DEM) e do prefeito de Sem Peixe, Domingos Sávio (PMDB).

Bernardo Santana

O deputado Federal Ber-nardo Santana (PR), apelidado de “Igreja”, segundo a delação, recebeu, em 2010, sem intermediários, R$150 mil. O valor era em troca de ajuda para apresentar emendas e defender projetos do interesse da empreiteira. Bernardo Santana é filho do também ex-deputado José Santana de Vasconcelos, dono da Rádio Alternativa 1 FM. Bernardo Santana não respondeu ao A Notícia até o fechamento desta edição.

Alexandre Silveira

O deputado federal Alexandre Silveira, que já atuou na região, inclusive, com apoio do ex-prefeito Gustavo Prandini e ligações com o atual presidente da Câmara de Monlevade, vereador Djalma Bastos (PSD), também recebeu recursos da empreiteira, segundo o delator. Na planilha entregue ao Ministério Público, Alexandre Silveira, identificado com o apelido “Silo”, recebeu, em 2010, sem intermediários, R$50 mil. O objetivo era que ele tivesse disposição para apresentar emendas e defender projetos do interesse da companhia na Câmara Federal. Atualmente, Alexandre Silveira é secretário geral do PSD em Minas Gerais e está licenciado do cargo de deputado. Ele é Secretário de Estado de Gestão Metropolitana do governo mineiro. Procurado, Silveira não respondeu ao A Notícia até o fechamento desta edição.

Nilmário Miranda

Ainda segundo a lista da Odebrecht, o ex-deputado federal pelo PT, Nilmário Miranda, recebeu em 2010, R$12 mil sem intermediários. Em Monlevade, ele sempre recebeu apoio de políticos ligados ao partido, sobretudo, do Sindicato dos Metalúrgicos. Coincidentemente, ele é citado na delação com o apelido de “Metalúrgico”. Apesar do recurso de caixa 2, Nilmário não se elegeu naquele ano. Ele foi eleito como 4º suplente em 2014 e, em 2015, recebeu convite para ser Secretário de Direitos Humanos do Governo de Minas Gerais, cargo que ocupa atualmente. Procurado pela reportagem, Nilmário também não respondeu ao jornal até o fechamento da edição.
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