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Policia
10 de janeiro de 2020
Ano quente: Denúncia de venda de drogas e remédios abortivos dentro de posto médico
Delegado afirma que investiga caso há oito meses

O Centro de Saúde do Novo Cruzeiro foi o epicentro de um terremoto no começo desta semana. O radialista Francisco Franco Sobrinho, Chico Franco, da rádio Comunicativa FM, divulgou na terça-feira (7), denúncias que a unidade abrigaria venda e consumo de drogas e do medicamento abortivo Cytotec, proibido por lei no Brasil.
O radialista, acompanhado da locutora Marileia Miranda, ainda falou do possível envolvimento de agiotas colombianos presos em junho do ano passado e que teriam envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico em Monlevade. O caso foi descoberto depois que uma paciente passou mal e precisou ser levada às presas para o Hospital Margarida com hemorragia.
As denúncias, segundo o comunicador, já foram passadas à Polícia Civil que abriu uma investigação sigilosa há oito meses sobre o assunto. O delegado regional Paulo Tavares confirmou a investigação e explicou que o sigilo foi decidido entre a Polícia Civil, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Sobre o prazo das investigações, Tavares disse que elas costumam demorar esse tempo ou até mais.
Procurada pela reportagem, a assessoria de Comunicação da Prefeitura respondeu que “a Administração irá se inteirar dos fatos (e as provas devem ser apresentadas) e tomar as medidas cabíveis, doa em (sic) quem doer.”
O Posto do Novo Cruzeiro era chefiado pelo ex-vereador José Benísio Werneck. Em 2017, ele foi denunciado por preencher receitas já assinadas e carimbadas pelo médio Júlio César Pinto Coelho. O caso foi denunciado ao Conselho Municipal de Saúde, mesmo assim, Werneck continuou na gestão do posto. Em setembro do ano passado, Werneck se afastou do cargo e a volta dele foi autorizada pela prefeita Simone Carvalho (PSDB) no dia 27 de dezembro.
Questionado pela reportagem, ele disse que não tinha conhecimento dos fatos e que ficou sabendo deles pelas redes sociais. Ainda segundo Werneck, as denúncias são infundadas.
Na quarta-feira (8), A Notícia encontrou Werneck na sala da chefia de Gabinete na Prefeitura. Ele disse que estava providenciando o seu retorno ao Posto e que, a pedido da secretária municipal de Saúde, Andréa Peixoto (que está de férias), se reuniu com a procuradora jurídica do município, Racíbia Moura, para prestar esclarecimentos sobre as denúncias. Ele reiterou que não tem nenhum conhecimento sobre as acusações e disse que jamais presenciou drogas ou medicamentos abortivos no posto médico.
No mesmo dia, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura afirmou que Werneck pode ser transferido daquela unidade. “Creio que ele deverá ir para outra unidade ou ser afastado, até que se apurem sobre os fatos. Todavia, a prefeita deverá se manifestar com a palavra final”, disse o assessor de Comunicação, Will Jony Gomes Nogueira. A prefeita Simone Carvalho ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.
A Notícia apurou que ela e o marido, Carlos Moreira, retornaram de viagem a Guarapari (ES) no começo da semana, segundo informações do gabinete dela. Mas a chefe do Executivo, até ontem (9) ainda não tinha ido à Prefeitura. Ao contrário do ano passado quando postou fotos de viagem no carnaval, a prefeita não avisou ninguém da sua ausência. A última vez que ela teria ido à Prefeitura foi no dia 27 de dezembro, quando assinou portarias com gratificações a servidores.

“Quem manda é Carlos Moreira”

O radialista Chico Franco foi assessor de Comunicação em seis dos oito anos dos dois governos do ex-prefeito Carlos Moreira e afirmou que quem manda na Saúde, assim como na Prefeitura toda é o ex-prefeito. “Foi ele quem colocou Werneck na chefia do posto e é responsável pelas decisões na Prefeitura. Acredito até que a prefeita Simone não saiba de nada”, disse ao A Notícia. Sobre a gravidade das denúncias, Chico Franco reafirmou que tem provas de tudo o que disse e que essas foram compartilhadas com algumas pessoas de confiança. “Além de mim, mais quatro pessoas têm os documentos, caso algo me aconteça”, afirmou.

Prefeitura abre sindicância

A Prefeitura de João Monlevade abriu, na quarta-feira (8), um processo administrativo para apurar as denúncias. Segundo a assessoria de Comunicação do Executivo, a Procuradora Jurídica do Município, Racíbia Moura, já ouviu Werneck, além do médico Júlio César Pinto Coelho, apesar dele não trabalhar na unidade de saúde há cerca de dois anos. Outros funcionários do posto devem ser convocados para prestar esclarecimentos.