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Geral
29 de novembro de 2019
Drama em casa no Ipiranga
João Vitor Simão
Moradora denuncia situação dramática de sua residência
Segundo dona de casa, vida da família virou um inferno com problemas

Uma família monlevadense vive dias de terror após um problema em sua residência, no bairro Ipiranga. A dona de casa Eni Lúcia de Freitas Araújo, 35, vive com os dois filhos, Cauã Lucas, 16, e Rafael Henrique, 8, em uma casa de fundo que ameaça desabar. O imóvel foi construído pela avó de Eni há cerca de vinte anos, sem saber que, por baixo do terreno, haviam tubulações da rede pluvial e outra de esgoto. Há mais de dez anos, a família convive com o risco de a casa cair, além de sofrer com constantes inundações e da infestação de ratos e baratas. “Nossa vida virou um inferno”, desabafa.
O drama começou em 2008, quando o filho mais velho tomava banho e de repente viu o banheiro afundar. A família teve de se mudar, e parte da casa teve que ser demolida e depois reconstruída, numa obra executada pela Secretaria de Obras. Eni Lúcia, no entanto, acha que a obra foi mal feita, já que o piso e as paredes restantes foram “reaproveitadas”, a casa foi entregue sem reboco nem acabamento, as redes pluvial e de esgoto permanecem no subterrâneo da casa, foi instalada uma boca de lobo em frente ao imóvel e o entulho da construção antiga simplesmente foi abandonado no quintal. Pedreiros chamados por Eni dizem que as paredes não possuem colunas, e não suportam sequer as vigas de madeira do telhado.
Eni remediou a situação até 2015, quando novamente a casa começou a dar sinais de problemas na estrutura. Rachaduras começaram a aparecer pelas paredes e pelo piso, algumas atravessando os tijolos de fora a fora. Ao tomar banho, a água passou a não mais escorrer pelo ralo, mas sim a sair por uma das rachaduras. Um dia, novamente o filho tomava banho quando um buraco se abriu no piso do banheiro, impedindo o uso do cômodo. Os buracos se espalham pelo chão dos quatro ambientes da casa. As tubulações que passam por baixo da residência acabam “levando” o solo que a sustenta, causando o risco de desmoronamento.
Para piorar, a rachadura, combinada à falta de acabamento, faz com que a água da chuva penetre pelo chão e pelas paredes, inundando toda a casa. O guarda-roupas da família, comprado há oito meses, está quase inutilizável devido ao contato com a água, já estando bastante inclinado e com o fundo despregado; o mesmo acontece com o armário da cozinha. A família já não consegue guardar alimentos em casa, sob o risco de contaminação.

Defesa Civil

A Defesa Civil foi acionada, mas, segundo a moradora, não concedeu um laudo de interdição da residência. Eni conta que ouviu do engenheiro que a estrutura estava condenada, mas que ele não poderia interditar a casa para não obrigar a Prefeitura a dar um lugar para a família se abrigar. Para contornar o problema, o engenheiro teria sugerido que o acesso à cozinha e ao banheiro fosse vetado, com os três moradores tendo que conviver entre a sala e o único quarto da casa, sugestão que Eni entendeu como impraticável.
A alternativa dada foi que eles se mudassem para um albergue, sugestão que a empregada doméstica repeliu imediatamente.
Questionada, a Prefeitura de João Monlevade informou que a Defesa Civil vai monitorar a casa nos próximos dias.

Medo da chuva

Os dias de chuva são de desespero para os Araújo. Assim que ouve os trovões, a família já corre para recolher os bens mais essenciais e fugir para a casa de vizinhos e parentes. Quando a chuva cessa, é tempo de contabilizar os prejuízos e tentar dar o mínimo de ordem ao lar. Por conta disso, desde o início de 2019, Eni Lúcia entrou em um quadro depressivo, tendo que tomar calmantes para controlar o pânico. Eni conta que o psiquiatra atestou que a razão da doença é a casa: “Quando o problema acabar, a depressão acaba”. Ela sente que o filho mais velho está desenvolvendo o mesmo transtorno, ficando paranoico e piorando seu desempenho escolar, pensando em abandonar os estudos para conseguir um trabalho e ajudar em casa, enquanto o filho mais novo sente que o “mundo vai acabar” quando chove. Por conta dos problemas, a família passa o mínimo tempo possível no imóvel, abrigando-se nas casas de vizinhos e parentes. Para Eni, a única solução é abandonar a casa. No entanto, recebendo apenas um salário mínimo como empregada doméstica e com dois filhos para criar, ela não tem condições de alugar uma casa.

DAE

O chefe do Departamento Municipal de Águas e Esgotos (DAE), Cleres Roberto Souza, disse que não há relação entre as redes pluvial e de esgoto que passam por debaixo da casa, que estão funcionando normalmente e não têm nenhuma relação com o abatimento do terreno. Cleres argumenta que foram feitos testes de verificação, que mostraram que toda a água que entra pela rede sai, sem vazamentos. Segundo ele, a razão para a instabilidade no solo seria de um vazamento ocorrido no banheiro, que encharcou o aterro superficial feito pela proprietária, ameaçando a estrutura do imóvel.