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Geral
5 de julho de 2019
Prédio da Escola Santana: patrimônio que agoniza
Márcio Passos
Escola Santana se deteriora pelo abandono e ação de vândalos
Fechada em dezembro de 2016, a Escola Estadual Santana vive uma situação deplorável e de total abandono. Aquela que, no passado, foi um dos espaços mais importantes da educação em João Monlevade, inclusive, abrigando os primeiros cursos superiores da cidade, com a antiga Faculdade de Educação, hoje, agoniza em meio ao descaso.
No local, que fica no Centro Industrial, dezenas de vidros das janelas foram quebrados, banheiros destruídos e portas foram arrombadas. Não há mais fiação elétrica, que foi roubada, além de torneiras e vasos sanitários. O mato também toma conta do prédio da escola que, inclusive, é tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal. Ironicamente, o espaço de educação e cultura, tornou-se um perigo para a comunidade do entorno, comprometendo a segurança e a saúde pública naquela região.
Houve tentativas, através do ex-deputado Nozinho (PDT) de levar os laboratórios da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) para o local. No entanto, devido aos altos custos de adaptação, o plano foi descartado. Grupos teatrais e associações culturais de João Monlevade também foram procuradas para usar o espaço para ações do gênero. No entanto, o plano não avançou. A Prefeitura de João Monlevade também nunca reivindicou o prédio ao estado.
Na semana passada, o vereador Belmar Diniz (PT) requereu ao presidente da Casa, Leles Pontes (PRB) envio de ofícios ao Minstério Público, Tribunal de Contas do Estado, Governo de Minas e Prefeitura de João Monlevade, pedindo providências em relação ao prédio. Ele também solicita reunião com representantes desses órgãos e entidades para encontrar discutir possibilidades de destinação do prédio ao interesse público e sua manutenção.

História

A Escola Estadual Santana foi construída e inaugurada em 1961 pela então Belgo Mineira e é mais antiga que o próprio município. O projeto da Escola foi assinado pelo arquiteto Lúcio Costa, pioneiro da arquitetura modernista no Brasil e que ficou conhecido mundialmente pelo projeto do Plano Piloto de Brasília. O local abrigava a imagem de Santa Ana, talhada em madeira e tombada pelo Patrimônio Histórico como bem material do município, que foi transferida para a Igreja São José Operário. Antes do fechamento, a Escola recebeu melhorias feitas por voluntários da ArcelorMittal em parceria com pais de alunos e funcionários da escola.