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Geral
5 de julho de 2019
Entrevista - Fabiano Cristeli - Diretor da Usina de João Monlevade
Divulgação
A Notícia entrevistou nesta semana, o Diretor Geral da Usina de João Monlevade, Fabiano Cristeli de Andrade. Ele destaca os trabalhos da unidade, inclusive, dos diferenciais e qualidade da produção e reforça compromisso com a comunidade. Aos 40 anos, é um dois mais jovens gerentes da história da ArcelorMittal Monlevade. Confira:

“Somos reconhecidos pela qualidade dos nossos produtos e temos que nos orgulhar disso”

Você é natural de qual cidade? Está em João Monlevade há quantos anos?

Sou natural de Sete Lagoas (MG). Em 1999, com 19 anos, me mudei para Belo Horizonte para fazer Engenharia Metalúrgica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Quando me formei, em 2003, tive a oportunidade de ser contratado pela Usina de Monlevade e estou residindo aqui desde então, há quase 17 anos.

Gosta da cidade? Qual a sua opinião sobre João Monlevade?

Pelo tempo e pela excelente adaptação à cidade, já me considero monlevadense de coração. Venho construindo minha carreira e minha família aqui, o meu filho é nascido aqui. Tenho residência fixa e também muitos amigos na cidade. Considero João Monlevade uma cidade acolhedora e próspera. Como qualquer munícipio no Brasil, tem os seus desafios, mas a sua história de pioneirismo e a forma acolhedora de receber quem vem de fora é um diferencial da cidade. Espero ficar muito tempo por aqui.

Antes de assumir a gerência geral, você passou por quais cargos em sua carreira e na Usina de Monlevade?

Comecei minha carreira profissional na ArcelorMittal Monlevade em 2003 na área do Alto-Forno, como Engenheiro de Processos. Em 2007, com 28 anos, assumi a minha primeira função gerencial à frente da Gerência de Área do Alto-Forno. Sete anos depois, em 2014, me tornei o Gerente de Redução da nossa Usina, respondendo pelos processos de Sinterização, Alto-Forno e Matérias-Primas, até ser promovido à Diretoria de Negócios da ArcelorMittal Monlevade em março deste ano.

Qual é o cenário atual da Usina de Joao Monlevade diante do mercado do aço? Segue competitiva? Como está a produção?

A Usina de Monlevade atua no segmento indústria, com aplicações mais especiais, e não tem tido reflexos na produção de fio-máquina, o que é bom para a empresa e também para a nossa cidade. Mas estamos atentos aos movimentos dos mercados interno e externo. A boa performance operacional da usina tem sido fundamental nesse cenário.

Quais são as suas perspectivas à frente da Usina de João Monlevade?
As perspectivas são bastante positivas do ponto de vista da nossa Usina. Temos uma equipe extremamente dedicada, qualificada e voltada para a segurança, processos e equipamentos modernos, um produto de alto valor agregado, uma relação respeitosa e sustentável com o meio ambiente, comunidade e demais stakeholders. Seguiremos trabalhando forte para nos manter competitivos frente a um mercado cada vez mais exigente e desafiador.

Há algum projeto para a sua gestão? Qual será o foco principal do seu trabalho?

A ArcelorMittal Monlevade sempre foi uma referência mundial em qualidade dos nossos produtos. E vamos manter isso. Temos várias frentes de trabalho sendo desenvolvidas, projetos em parcerias com Centros de Pesquisas do grupo, com clientes, universidades e outros parceiros. O projeto de concentração de Itabiritos na Mina do Andrade é um exemplo de projeto em parceria, onde buscamos melhorar a qualidade do minério a ser consumido aqui e por consequência dos nossos produtos. Somos reconhecidos internamente no grupo e pelos clientes por essa qualidade dos nossos produtos e temos que nos orgulhar disso. Outro tema que também temos trabalhado internamente é a Inovação, fundamental para nos manter competitivos e entregarmos as melhores soluções para os nossos clientes. Destaco que também vamos continuar com nossos investimentos sociais, em Meio Ambiente e nas pessoas, com foco muito grande em segurança.

Na sua opinião, qual é o diferencial da Arcelor Monlevade frente às outras unidades do grupo? Em sua opinião, quais são os destaques da Usina?

Das unidades do grupo ArcelorMittal no Brasil somos a única que trabalha com fio-máquina para aplicações especiais, o que nos coloca em mercados muito específicos como o automotivo, por exemplo. Fazemos aço para centenas de aplicações diferentes. E isso nos dá uma força muito grande dentro do mercado. Coloco ainda como destaques o forte comprometimento da nossa equipe, conhecimento e foco em qualidade, equipamentos e processos modernos, sólido sistema de gestão e o minério de ferro proveniente da Mina do Andrade, que pertence à ArcelorMittal.

João Monlevade e região podem voltar a ter esperanças para a retomada do projeto de expansão da produção e funcionamento integral do novo laminador?

O projeto de Expansão da ArcelorMittal Monlevade sempre esteve em pauta, mas o foco no momento é garantir a estabilidade operacional da nossa Usina.

Como você vê a relação da Usina com a comunidade local?
Recentemente, vereadores criticaram e falaram das dificuldades de conversar com representantes da empresa. Houve algum afastamento ou “esfriamento” na relação? Como deve ser a relação da Usina com o poder público de João Monlevade.


A ArcelorMittal tem um impacto muito positivo em João Monlevade. A empresa contribui em grande parte com a receita do município, por meio do recolhimento de impostos decorrentes da nossa operação, além de movimentar centenas de milhões de reais por ano na economia local através da contratação de serviços, compra de materiais e geração de emprego. E, por isso, manter a empresa operando bem e competitiva é muito importante também para a cidade. Além disso, mantemos investimentos em programas sociais há pelo menos 20 anos, sempre em parceria com o poder público, nas áreas de Educação, Cultura, Esporte, Promoção Social e Meio Ambiente, por meio da Fundação ArcelorMittal. Não somente nestas áreas, ainda temos apoios e parcerias nas áreas de desenvolvimento econômico, segurança pública, infraestrutura, entre outras. Tudo isso, obviamente passa por um diálogo constante e permanente com diversos segmentos da sociedade, desde o poder público, passando por entidades e associações, até os moradores do entorno da nossa Usina. Portanto, a empresa sempre esteve aberta ao diálogo, mas, claro, mantendo o respeito aos papéis e responsabilidades de cada um dentro da comunidade. Continuaremos dessa forma.

Você descartou morar na casa que pertence à Usina, próximo ao Clube Embaúbas, no bairro Vila Tanque. Qual é o motivo? E qual será o destino da bela casa?

É uma decisão pessoal. Já tenho residência fixa em Monlevade há mais de 10 anos e optei por permanecer na mesma. A casa da Vila Tanque pertence à ArcelorMittal e o seu futuro está sendo discutido.

Algo mais a acrescentar?

A nossa Usina completa 84 anos em agosto e é motivo de muito orgulho fazer parte desta história, como milhares de monlevadenses também fizeram ao longo de todos estes anos. É muito gratificante ver que o produto que fabricamos aqui em Monlevade está presente no dia a dia das pessoas no mundo todo. E é mais gratificante ainda ver como a nossa operação contribui e gera recursos que são revertidos em benefícios para a sociedade.