Região
25 de maio de 2019

Prazo-limite para queda de talude em mina de Barão de Cocais é este domingo

Reprodução
Defesa Civil diz que o que está em risco é o talude e não a barragem

Colapso pode levar ao rompimento de barragem


De acordo com projeções de técnicos, termina neste domingo (26), o prazo para a queda do talude norte da Mina Gongo Soco em Barão de Cocais. Portanto, autoridades e a população de Barão de Cocais, estão em alerta máximo neste fim de semana. Junto com a incerteza do dia exato e do horário do colapso da estrutura, outra dúvida é se a queda do material na cava vai provocar o rompimento da Barragem Sul Superior, que está em alerta máximo de risco de rompimento desde o dia 19 de março.

Se o pior cenário se concretizar, João Monlevade pode ficar sem abastecimento de água temporário. A onda de rejeito atingiria o rio Santa Bárbara e deixara a água imprópria para o tratatamento e consumo. Porém, segundo o Departamento de Água e Esgotos (DAE), a mineradora garantiu que a lama não chega às Pacas, ficando contida até a represa de Peti. Mesmo assim, segundo Cleres de Souza, diretor da autarquia, haveria aumento de turbidez e de presença de materiais que interfeririam na qualidade da água.

Mesmo se a represa não se romper imediatamente depois do desmoronamento do talude, o sossego dos moradores de Barão de Cocais não será restabelecido rapidamente. Isso porque serão necessários monitoramentos constantes para verificar a possibilidade de liquefação da estrutura, cuja consequência é a ruptura da barragem. O prefeito da cidade, Décio xxx disse que o município está sofrendo muito com pressão e a tensão da expectativa do rompimento. Agências bancárias fecharam na cidade e o único Hospital ficaria ilhado pela onda de lama.

A movimentação no talude passou de 11 centímetros/dia para uma movimentação de 12,9 centímetros/dia na base e 16 centímetros/dia nas partes mais altas, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). Ocorrendo o rompimento, a previsão é de que o rejeito chegue até a primeira casa num prazo de 1 hora e 12 minutos. “Temos tempo, condições e logística para fazer o trabalho”, afirma o coordenador-adjunto da Defesa Civil estadual, tenente-coronel Flávio Godinho. Na cidade vizinha de Santa Bárbara, o tempo é de três horas e em São Gonçalo do Rio Abaixo, de 8 horas. “Nesses locais, ela chegaria numa condição diferente das regiões próximas à barragem”, completa.

As equipes de resgate e os responsáveis pelos alertas também estão de prontidão. Defesa Civil estadual e municipal, Corpo de Bombeiros (incluindo o batalhão especializado em resgate, que atuou em Moçambique) e Polícia Militar estão com efetivo na cidade. Os carros de som da Vale encarregados de tocar a sirene na cidade também estão 24 horas de prontidão. O tenente-coronel ressalta que os alertas só vão soar em caso de rompimento da barragem. Se apenas o talude cair, não haverá acionamento do plano de emergência.

De acordo com Godinho, não haverá novos treinamentos ou simulados. Já foram feitos dois. Também houve simulados de emergência com moradores de Santa Bárbara e de São Gonçalo do Rio Abaixo. O outro ocorreu no último dia 18, quando cerca de 1,6 mil moradores da zona de segurança secundária da cidade participaram. A ação, de caráter preventivo, foi feita pela Defesa Civil estadual, com apoio da Vale, das Polícias Civil e Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e da Prefeitura Municipal. A mineradora participou da atividade com 350 funcionários e prestou apoio logístico às autoridades. O treinamento teve duração de 48 minutos e adesão de 26,75% do público previsto.

Por meio de nota, a Vale disse que adotou todas as medidas preventivas em Barão de Cocais, desde 8 de fevereiro, com o objetivo de garantir a segurança dos moradores da região. “Além da retirada preventiva dos moradores da zona de autossalvamento, a Vale apoiou as autoridades na realização de simulados e na preparação das comunidades para todos os possíveis cenários, com equipes de prontidão permanentemente”, afirmou no texto.

A mineradora acrescentou que tanto o talude da Mina Gongo Soco quanto a Barragem Sul Superior estão sendo acompanhados 24 horas por dia e as previsões sobre deslocamento de parte da primeira estrutura, revistas diariamente. “A Vale reforça que não há elementos técnicos que possam afirmar que o eventual deslizamento de parte do talude poderia desencadear a ruptura da barragem. Mesmo assim, reitera que todas as medidas preventivas foram tomadas e segue à disposição das autoridades para prestar todo apoio possível.” (Com informações do Diário do Comércio)