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10 de maio de 2019
Mudanças nas rádios acirram disputa pela audiência
Reprodução
Carlos Moreira (Global), Weber Ferreira (Líder) e Cézar Rocco (Alternativa): disputa acirrada no horário nobre das rádios.
A passagem do ano de 2018 para 2019 foi marcada por radicais mudanças nas emissoras de rádio em João Monlevade, mercado tradicional de comunicação no município com mais de meio século de história. A antiga Rádio Cultura AM, montada nos anos de 1960 pela então Belgo-Mineira, empresa que comandada a Usina de Monlevade, reinou sem concorrentes até 1989, quando o ex-deputado José Santana de Vasconcellos inaugurou a sua Alternativa 1 FM, frequência 91.1, que completa 30 anos neste ano.
A partir daí, as duas iniciaram permanente disputa pelos ouvintes, intercalando momentos de liderança de uma e outra até que na última década a FM tomou uma dianteira definitiva comprovada em várias pesquisas, inclusive, pelo 100 Melhores.
A evolução tecnológica no setor e a crescente opção pelas redes sociais verificadas nos últimos tempos provocaram um “jeito de arrumação” no mercado e todas as emissoras tiveram que promover mudanças, algumas radicais e outras nem tanto. A novidade de maior impacto foi o fechamento da Rádio Cultura AM e sua abertura como FM, outro nome e outro proprietário. Agora ela é a Rádio Líder, frequência 105.9, comandada pelo empresário do ramo com mais de uma dezena de emissoras, Leandro Torres. Ou seja, saiu Mauri e entrou Leandro, permanecendo o sobrenome Torres.
Com a mudança do proprietário, a nova rádio começou majorando seu preço de anúncios, dispensou a história do comunicador de maior audiência na história do rádio local (Carlos Moreira) e montou uma equipe nova, entregando seu melhor horário para Weber Ferreira, ex-coordenador de programação da Alternativa FM. A mudança obrigou Carlos Moreira a se reacomodar na Global FM, frequência 106.9, uma rádio educativa e de propriedade da Fundação Germin Loureiro, controlada pelo ex-deputado Mauri Torres.
As mudanças verificadas nas três emissoras igualaram a potência e alcance delas, o que acirra a disputa pela audiência. E a “briga” pelos ouvintes é ainda maior no horário nobre que começa bem cedo e vai até o meio dia, programação carro chefe das três emissoras, mesmo porque a partir daí o nível de audiência cai bem em todas elas, diante da disputa com a TV e redes sociais.
A Alternativa começa o dia com o programa do Tangará (ex-Cultura), que disputa o público sertanejo com Daniel SenaFest (ex-Cultura) na Líder e Juninho Ferreira (ex-Alternativa) e Denilson Martins (ex-Cultura) na Global. Mas a grande guerra sobre a audiência começa logo em seguida com César Rocco na Alternativa, Carlos Moreira na Global e Weber Ferreira na Líder. É neste horário, entre 8h e 12h, que a grande disputa se verifica para o mais nobre dos horários. Quem está saindo na frente com melhor aceitação dos ouvintes? É uma resposta que só a primeira pesquisa de opinião vai revelar.
Além das rádios Alternativa, Líder e Global, João Monlevade tem também as rádios comunitárias CDL (inativa) e Comunicativa, ambas de estrutura e potência menores, além de receber sinais de outras emissoras de Itabira e Nova Era.
Como as três primeiras ampliaram seus sinais e hoje alcançam praticamente toda a região, emissoras de outros municípios do Médio Piracicaba estudam tomar o mesmo caminho, o que pode acirrar ainda mais a disputa pelos ouvintes. As alterações verificadas e as que estão por vir ampliaram a oferta e a qualidade da programação oferecida aos fãs do rádio, mas por outro lado dificultam a já comprometida manutenção financeira de tantas rádios num mercado que não cresce.