Brasil e Mundo
15 de abril de 2019

Corpo de jovem eletrocutada em festa no Rio é velado

Maria Fernanda, de 20 anos, teve quatro paradas cardíacas após encostar em uma barra de ferro energizada em evento no Terreirão do Samba.


O corpo de Maria Fernanda Lima, de 20 anos, que morreu após receber uma descarga elétrica em uma festa no domingo (14), foi velado na manhã desta segunda-feira (15), no Cemitério de Irajá, na Zona Norte do Rio. Familiares e amigos chegaram ao local por volta das 10h.

As amigas Nayara Varanda e Laura Mendes, que conheciam Maria Fernanda há mais de oito anos, lamentaram a morte da jovem e disseram que ocorreram vários problemas de energia durante a festa no Terreirão do Samba, no Centro do Rio.

“Desde cedo, o som era interrompido a todo instante. A mulher que cuidava da limpeza avisou que os banheiros estavam dando choque, que a gente evitasse encostar nas paredes. Se a mulher da limpeza sabia, não é possível que os organizadores não soubessem”, disse Laura.

Muito emocionado a irmã mais velha de Maria Fernanda, Gabriela Lima, pediu justiça para a caçula por parte de mãe. “A gente não quer aparecer, a gente quer justiça. O que aconteceu não foi acidente. Não fiscalizaram o local. O fio desencapado ainda está lá. Não deram a mínima ajuda. Como bombeiros não fiscalizaram aqui lá? Era uma festa com 20 mil pessoas. Isso foi homicídio. Só peço justiça porque é o corpo da minha irmã de 20 anos que está num caixão”, disse Gabriela.


Amigos contaram à família que, ao contrário do que a empresa organizadora divulgou em nota, a festa não foi suspensa. “ Eles paralisaram o rolê porque uma jovem estava passando mal e logo depois a rolê continuou. Eles foram nojentos”, disse a irmã.

Gabriela contou que Fefê, como era chamada era alegre, cheia de vida e estava cheia de sonhos, como viajar e conhecer o mundo.

“Ela era uma pessoa maravilhosa, muito intensa em tudo o que fazia. Uma das melhores pessoas que já conheci. Queria conhecer o mundo, estávamos programando uma viagem para o Capitólio. Fefê era extraordinária, queria muito poder estar no lugar dela agora. O que a gente pede é que façam justiça, que essa empresa seja punida para que não aconteça isso com outras pessoas”, disse Gabriela.

Maria Fernanda morreu após encostar em uma barra de ferro energizada atrás do palco de um evento por volta das 4h, segundo amigos que estavam com a vítima.

O choque foi tão forte que a jovem desmaiou. Ela foi levada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, na mesma região, mas não resistiu após ter quatro paradas cardíacas. A Secretaria Municipal de Saúde informou que Maria Fernanda chegou à unidade já em parada cardiorrespiratória e morreu.

Nayara Varanda, que não estava na festa, contou que outra amiga, Malu, também sofreu a descarga elétrica e começou a ligar para os amigos quando ainda estava na ambulância.

“Elas encostaram as pernas numa grade na área atrás do palco. A Malu não teve ferimentos aparentes, mas ainda está muito enjoada e com dores nas pernas. Ela está em casa em observação, ela está muito mal e nem vai ter condições de vir ao enterro", disse Nayara.

"A Fefê [Maria Fernanda] ficou agarrada na grade. Isso foi negligência. Podia ter sido evitado. É inexplicável, não tem cabimento acontece uma coisa assim numa festa. Se tinha problema, por que não pararam a festa? Ela era uma pessoa alegre, cheia de vida, tinha acabado de entrar para a faculdade”, lamentou Nayara, chorando.
Maria Fernanda Lima havia começado a cursar odontologia em uma universidade particular na Tijuca, na Zona Norte. A instituição lamentou a morte da estudante e decretou o cancelamento das aulas para alunos dos primeiros períodos do curso nesta segunda e terça-feira (16).

“Em solidariedade e respeito à aluna e aos colegas de turma, não haverá aulas nesta segunda e terça-feira para os discentes de primeiro e segundo períodos de odontologia", disse a universidade, em nota.

O que dizem os organizadores
A organização do evento, Puff Puff Bass, publicou uma nota nas redes sociais lamentando o fato:

"Infelizmente nessa noite, por volta das 4h, fomos informados pelos nossos brigadistas de incêndio de que havia acontecido um incidente. Logo após, nossos médicos decidiram que o melhor a se fazer era encaminhá-la ao hospital. Repassamos essa informação para o Terreirão do Samba e decidimos, a partir desta ocasião, encerrar o evento. Nós zelamos muito pela integridade de cada pessoa que escolhe ir a Puff Puff Bass e, no momento, o melhor a se fazer para preservar cada um de vocês foi encerrar o evento um pouquinho mais cedo".