Geral
8 de fevereiro de 2019

Monlevadenses trabalham no resgate às vítimas de Brumadinho

Reprodução G1
Cabo Leonardo Sidinei é um dos monlevadenses que atuam no resgate das vítimas em Brumadinho

“Temos boas chances de encontrar corpos de desaparecidos”, diz bombeiro

Alguns monlevadenses membros do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais atuam no resgate às vítimas na Mina do Feijão, em Brumadinho, onde a barragem da Vale se rompeu há 15 dias e deixou centenas de mortos e desaparecidos. Ainda não há prazo para o fim das buscas.
Em entrevista ao A Notícia, o monlevadense Cabo Leonardo Sidinei Carneiro dos Anjos falou do trabalho realizado na área da Mina do Feijão. Ele é filho de Márcio Inácio dos Anjos (metalúrgico refratarista aposentado da ArcelorMittal) e da técnica em contabilidade Mirene Dias Carneiro dos Anjos, moradores do bairro Rosário.
Há nove anos no Corpo de Bombeiros, Leonardo também foi socorrista do Serviço Voluntário de Resgate (Sevor) de João Monlevade, entre os anos de 2007 e 2010. Atualmente, ele trabalha no Batalhão de Emergência Ambiental e Resposta à Desastres (Bemad) em Belo Horizonte e ficou sete dias na área da Mina, à procura das vítimas. Ele disse que nunca tinha visto nada nessa magnitude. Leonardo conta que chegou em Brumadinho às 15h, duas horas após o rompimento da barragem. “A equipe do Bemad e do Segundo Batalhão, que chegaram primeiro, conseguiram retirar as vítimas vivas da lama. Agiram muito rápido”, disse.
Ele informou que tinha acabado de sair de um plantão de 24h, quando foi deslocado para o local do acidente. “Fui acionado saindo de um serviço de 24 horas. Havia acabado de chegar em casa. Minha esposa que também é bombeira entende bem isso. Foi o tempo de arrumar as coisas e ela me levou para o batalhão, onde trabalho há quatro anos”, contou. Na área da Mina do Feijão, ele trabalhou por uma semana.
Ontem (7), o Cabo Leonardo foi novamente deslocado ao local do acidente, onde ficará por mais sete dias. Antes de retornar à missão, ele falou mais um pouco do trabalho e da esperança de encontrar todas as vítimas. Leonardo afirma que os bombeiros não perdem a esperança, o foco e fazem o trabalho com determinação. “Nossos comandantes são referência nacional nesse tipo de ocorrência. Temos boas chances de encontrar muitos que estão desaparecidos. Em Mariana, dos 19 mortos, os bombeiros recuperaram 18”, relembra. No período em que esteve em Brumadinho, a equipe com a qual trabalhou encontrou quatro corpos e um segmento (parte de um corpo).
Toda a atenção é calculada, voltada sobre onde colocar os pés e em que apoiar as mãos. Há pontos em que a lama chega a mais de 10 metros de altura, prende e puxa o bombeiro para baixo. O Cabo Leonardo falou das dificuldades da operação e dos métodos de trabalho. “Em alguns trechos é necessário andar em quatro apoios para distribuir o peso. Em outros, utilizamos painéis de solo com a mesma intensão, às vezes, temos que rastejar também. São poucos os locais em que conseguimos andar sem afundar até os joelhos. Com o passar do tempo, se não chover, o deslocamento vai melhorar. Em contra partida um solo mais firme, dificultará a retirada das vítimas”, diz. Ainda assim ele destaca a eficácia dos aparelhos, como satélites e a ajuda dos cães, fundamentais no trabalho.
Outro monlevadense que trabalhou em Brumadinho é o soldado Lucas Antunes. Ele é filho de Lucimar Fonseca Moreira Soares e de Lazaro Antunes Soares (já falecido) e neto do ex-vereador José Francisco Moreira, o Zé da Bota. Há cinco anos na corporação, Lucas mudou-se para Belo Horizonte há pouco mais de dois anos, para trabalhar como bombeiro. Ele deu um depoimento emocionado ao jornal O Estado de São Paulo, em reportagem sobre a tragédia. “Nunca vi nada assim. Não dá para esquecer nunca disso aqui. É uma lição para a vida”, afirma.
Também ontem (7), o 11º Batalhão de Bombeiros Militar de Minas Gerais, sediado em Ipatinga, enviou nove militares para dar apoio aos demais profissionais que estão na operação de resgate às vítimas. Essas guarnições de bombeiros, dentre vários outros voluntários do Batalhão de Ipatinga, serão as primeiras da região em apoio. O monlevadense Tenente Marlon Pinho Medeiros Aguiar seguiu para essa missão.
O Tenente Medeiros, como é conhecido, é comandante do 4º Batalhão de Itabira e fica em Brumadinho até a próxima sexta-feira (15). Ele trabalhou, em 2015, no resgate de vítimas após o rompimento da barragem da Samarco em Mariana. O militar é bacharel em Ciências Militares e Prevenção de Catástrofe e também graduado como Engenheiro de Controle e Automação. Nascido na Vila Tanque, ele é filho dos professores Charles Antonio de Aguiar e Miriam Pinho Medeiros Aguiar.
"Acredito que possivelmente, irei comandar alguma das equipes em campo, porém as determinações serão repassadas pelo centro de comando. Espero dar o melhor de mim na operação e ajudar ao máximo as pessoas que estão sofrendo com essa tragédia. Nós bombeiros militares existimos para isso", afirmou Medeiros.