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Brasil e Mundo
4 de fevereiro de 2019
Conheça histórias de voluntários de todo o país e do exterior que ajudam vítimas da tragédia em Brumadinho
Reprodução
DO G1

Pessoas de diferentes profissões viajam com recursos próprios para prestar solidariedade e dar abraço a quem precisa.

A tristeza, o choro e a angústia são visíveis nos rostos dos moradores de Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde o rompimento de barragem da Vale em 25 de janeiro deixou 121 mortos e 205 desaparecidos até o momento.

Mas quem anda pelas ruas da pacata cidade não vê como único reflexo da tragédia a presença de muitos carros da polícia e dos bombeiros: ali é possível esbarrar com dezenas de pessoas dispostas a dar um abraço, uma refeição, ou a se jogar na lama para ajudar os necessitados.

Voluntários estão dando uma força à pequena Brumadinho, com 34 mil habitantes segundo o IBGE, desde o dia do rompimento da barragem.

São cozinheiras, bombeiros civis, resgatistas, médicos, professores, ex-militares e integrantes das mais diversas religiões e organizações não-governamentais. Houve até quem tenha lavado durante mais de uma semana a roupa dos bombeiros militares que enfrentaram o sol e a lama para retirar os corpos.

Bombeiros florestais e civis, militares da reserva, mergulhadores e resgatistas de Santa Catarina, Pará, São Paulo, Rio de , Amazonas, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina, Brasília e até do México se prontificaram a ajudar nas buscas pelas vítimas.
Eles foram autorizados a ajudar a vasculhar a mata ao redor da lama e até a fazer escavações. O bombeiro civil Elvis Henrique dos Santos, de 27 anos, que mora em Vitória, diz ter ajudado a encontrar cinco corpos em seis dias. Ele reconheceu a localização dos corpos devido à presença de moscas e animais sobrevoando.

“O que me motivou a vir pra cá foi a vontade de ajudar as pessoas, saber que é o segundo acidente assim. Eu sinto que a área de buscas é muito grande, a área devastada é imensa, com metros de altura de lama, e eu pensei que qualquer ajuda que viesse iria ser de bom gosto”, explica Elvis.

“E não só a ajuda profissional que conta, é um ato de solidariedade, dar um apoio emocional a quem está precisando de um abraço”, afirma o bombeiro.

Apoio em velórios
As amigas Andreia Moreira Lima, de 21 anos, e Adriane Libra Íon, de 44, são técnicas em enfermagem e pegaram um ônibus em Belo Horizonte com recursos próprios com destino a Brumadinho. Apresentaram-se no hospital da cidade querendo ajudar.

“Nós estivemos também em Mariana e percebemos que precisávamos vir para cá”, disse Adriane. “Vim para ajudar as famílias, dar um apoio psicológico, uma ajuda emocional que também é importante”, completa. Ela foi atuar nos velórios em suporte a familiares.

“Aprendemos em Mariana que a cidade toda se abala com isso, todo mundo conhece alguém que morreu ou perdeu algo. Eles precisam de esperança e conforto, acreditar que tudo quem sabe um dia vai melhorar e passar”, diz Andreia.
Segundo elas, nestas ocasiões, muitos parentes que perderam alguém ou possuem conhecidos desaparecidos sofrem abalo psicológico que pode levar a desmaios, pressão baixa, dentre outros.

Documentos encontrados
Coordenando o grupo “Anjos do Asfalto”, que faz resgates voluntários na BR-381, o empresário Geraldo Assis trouxe amigos de diversos estados para ajudar nas buscas e localizou um corpo próximo a um rio em Brumadinho.

No sábado (2), ao vasculharem a vegetação ao redor do “mar de lama”, encontraram documentos administrativos da Vale.

“Em toda a catástrofe, nós estamos dispostos a ajudar, não que os órgãos públicos não deem conta, mas nos momentos difíceis toda a ajuda é boa”, diz Geraldo.
Cão Resgate
Coordenando um grupo de resgatistas de animais de Guarulhos (SP), o militar reformado Benedito Rodrigues Corrêa trouxe seu cão “Resgate” e veterinários voluntários para os trabalhos. Ele e seu cão de estimação ficaram dormindo no ginásio de uma quadra de esportes. O cãozinho encontrou dois corpos em apoio aos bombeiros.

“Estamos aqui para ajudar no que for preciso. Nós sabemos encontrar animais, mas se precisamos, ajudar no abraço, no carinho, no que for preciso”, afirma Corrêa.

Refeições e alento no coração
Quando se fala em comida no Córrego do Feijão, onde fica a mina cuja barragem rompeu, invadindo diversas casas, é o nome da empresária Camila Fernandes de Alcântara, de Belo Horizonte, que a maioria cita. Camila fechou o seu restaurante na capital mineira e decidiu fazer refeições para os moradores de Brumadinho que ficaram desabrigados. Convidou duas cozinheiras e uma nutricionista, todas voluntárias, para preparar as marmitas.

“É uma situação difícil, mas eu queria ajudar. Fazemos a comida em Belo Horizonte e trazemos todos os dias aqui para distribuir”, explica ela. “Eu não ganho nada com isso, ninguém aqui ganha. Usamos alimentos de doações e viajamos com recursos próprios “, diz a empresária, lembrando que o grupo recebeu muitos quilos de arroz de doação, mas que possui demanda de carne e legumes.

“Dá um alento no coração. A gente vê estas pessoas sofrendo e precisa fazer algo, tem alguma coisa nos chamando ajudar”, afirma a cozinheira Vanderleia Batiestes.